Matão+Verde promove ato para evitar supressão de árvore
Área pública ao entorno de Falsa Seringueira foi limpa em comemoração ao Dia da Árvore
Do acervo · publicada originalmente em 24 de setembro de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020No último dia 18, integrantes do Grupo Matão+Verde tiveram uma reunião via internet. Antonio Carlos Bandeli apresentou uma retrospectiva desde a reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA), realizada de modo presencial no dia 22 de fevereiro, onde conselheiros decidiram pela poda de 30% a 40% de uma majestosa Falsa Seringueira (Ficus elástica).
Essa árvore está localizada na Rua Major Joaquim Gabriel de Carvalho, entre o Bairro Alto e o Jardim do Bosque. Pelas informações, vizinhos formalizaram queixas referentes à árvore para a Promotoria do Meio Ambiente, que encaminhou a solicitação ao CMMA. Porém, numa reunião on-line realizada no dia 22 de julho, conselheiros estabeleceram a supressão desta árvore.
No dia 28 de julho, o Grupo Matão+Verde enviou uma carta digital para Marcelo Favaro Orvietti, presidente do Conselho, que atualmente exerce a função de secretário municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Recursos Hídricos. O documento solicitou a convocação de uma nova reunião do CMMA, em virtude da ausência de conselheiros na reunião virtual de julho, visando reverter a supressão da árvore.
O ofício foi analisado pelo CMMA, que manteve a decisão quanto à supressão. “O Matão+Verde queria que – pelo menos – fosse mantida a decisão quanto à poda. Já perdemos outra Falsa Seringueira, vítima de incêndio, na Vicinal ‘Clito Bastia’, pouco além da Rodovia ‘Brigadeiro Faria Lima’. Esta da Rua Major Joaquim Gabriel de Carvalho é tão majestosa e provavelmente tão antiga quanto aquela”, argumenta Bandeli.
ATO PARA CONSCIENTIZAR
No último domingo (20), membros e parceiros do Matão+Verde promoveram uma ‘Faxina Ambiental’ em comemoração ao Dia da Árvore, celebrado na segunda-feira (21). “Limpamos a parte ao entorno da árvore que fica no passeio público. De folhas e pequenas partes da Falsa Figueira, juntamos um total de 30 sacos plásticos de 200 litros; 15 de 100 litros e um bag destes de armazenar laranjas e outras frutas”, relata Bandeli.
“Por lá também tinham várias garrafas de vidro e muito lixo doméstico, que não foram colocados nestes recipientes. O ato também serviu como forma de conscientização contra o corte da Falsa Figueira. Se ela estiver causando danos a vizinhos, que tenha a sua poda realizada, mas não deixe de existir e continuar sua nobre missão”, sintetiza o membro do Matão+Verde.
“Esta árvore pode ser vista de diversos pontos de Matão. Tem valor histórico, afetivo. Não podemos perder esta árvore. Assim, decidimos promover ações para evitar isso”, resume Bandeli. Desta forma, o Matão+Verde colheu assinaturas de membros e parceiros, dentre os quais, representantes de entidades e lideranças matonenses contrários à supressão da árvore.
“É uma árvore que tem valor histórico e afetivo, sim. Deveria existir para sempre! Não incentivamos a supressão da árvore, pois a Falsa Figueira não traz danos, nem atrapalha nossa empresa. No entanto, sabemos que folhas e outras pequenas partes dela causam entupimentos em calhas da vizinhança. Além disso, cabos de energia elétrica passam através da árvore”, frisa um diretor da empresa.
“Trata-se de árvore muito antiga e não sabemos até quando resistirá. Observamos a cada dia mais desastres climáticos e tememos que, com um vendaval, galhos possam quebrar e atingir veículos, romper cabos de energia elétrica e até causar mortes. Não queremos isso e nem nos responsabilizarmos por estragos ou algo pior, porque a árvore tem maior parte em nossa propriedade”, completa o diretor.
COMODATO
Numa reunião realizada na manhã da terça-feira (22), entre membros do Matão+Verde e representantes da empresa, ficou definido que a empresa se dispôs a ceder a parte do terreno onde está a árvore em comodato por tempo indeterminado ao Matão+Verde, para que este se responsabilize por cuidados com a Falsa Figueira.
“Assim, o Matão+Verde zelaria e tomaria todos os cuidados, assumindo eventuais prejuízos materiais que a árvore possa causar a vizinhos, rede elétrica, cidadãos em trânsito pelo passeio público ou via pública e eventuais danos a veículos causados por seus galhos. Deve-se considerar que as raízes da árvore são agressivas e longas, atingindo redes de esgoto e de água, bem como residências e outros imóveis particulares na vizinhança”, discorre outro diretor da empresa.
“Recebemos o documento que propõe a cessão do terreno onde está a árvore e analisaremos em reunião antes de assinarmos o seu conteúdo. De toda forma, procuraremos setores municipais inerentes ao assunto na Prefeitura, bem como buscaremos outras possibilidades públicas ou privadas para tentar salvar aquela árvore. Nos esforçaremos para que consigamos nosso intento, para que ninguém sofra danos, tenha prejuízos ou algo pior, e lutaremos para que a Falsa Seringueira continue sua jornada. Também tentaremos o tombamento histórico desta árvore”, sintetiza Bandeli.
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