Matão perde Wilson Rodrigues
Radialista foi vítima de infarto, na terça-feira (8)
Do acervo · publicada originalmente em 11 de setembro de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 5 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020O radialista Wilson Rodrigues faleceu em sua residência, por volta das 13h30 da terça-feira (8), vítima de infarto, aos 64 anos. Após ser velado no Velório Municipal, seu corpo foi sepultado no final da tarde da mesma terça-feira. Nascido no dia 3 de maio de 1956 e registrado no dia 15 de agosto do mesmo ano, em Cianorte (PR), chegou a Matão em 1974. Wilson deixa a esposa Lídia Pedroso Rodrigues e os filhos Marcos Vinicius, Fernanda e Mateus (casado com Mayara Franceschini Cicogna Rodrigues).
“Como sempre fizemos por toda vida, almoçamos juntos. Meu pai sofreu o infarto ao meu lado, no sofá, por volta das 12h30. Eu o socorri ao fazer massagem cardíaca e o Samu chegou logo após, continuando a tentativa, mas os batimentos voltaram em baixa intensidade por duas vezes. A morte foi constatada por volta das 13h30”, resume Marcos.
Quinto filho dos saudosos Geraldo Rodrigues e Clementina Valim Rodrigues, Wilson tem os irmãos Walter, Wilma, Aparecida, Fátima, Waldir, Ademir e Walmir. Casou-se no dia 17 de janeiro de 1981 com Lídia. “Meu maior e melhor amigo. Ensinou princípios de vida para nós. Com pouco estudo, mas muito empenho e dedicação, possibilitou que eu e meus irmãos nos formássemos em cursos superiores”, diz Marcos.
“Cuidou muito bem de nossa mãe. Quando minha avó Clementina morreu, ele assumiu a casa, conseguiu empregos para tios. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, exerceu muito a sua religiosidade. Auxiliava a todos que ele podia, de uma forma ou de outra. Um homem honesto, organizado, brincalhão, agregador. Sobretudo, um vitorioso! Se posso considerar alguém herói, é meu pai”, sintetiza Marcos.
A CARREIRA
Wilson começou fazendo locução nas quermesses da comunidade católica Nossa Senhora Aparecida (Bairro Alto). A radiofonia teve início na Morada do Sol, onde trabalhou de 1981 a 1983. Depois foi para a Rádio Notícias AM (atual Rádio Cidade FM), atuando de 1983 a 1985. Ficou praticamente um ano em Bauru e voltou para a Rádio Notícias em 1986, onde permaneceu até 1992, quando ingressou na Rádio Saudades FM.
Desportista apaixonado – sobretudo por futebol – atuou na Saudades por 24 anos, integrando o ‘Redação 90 nos Esportes’ (1992 a meados de 1997), ‘Mistura que dá’ (meados de 1997 a 11 de dezembro de 1999) e ‘Saudades Esporte Clube’ (daquela data até junho de 2016). Depois, este programa recebeu a denominação de ‘Redação 90’.
Sua dedicação intensa também se deu junto ao ‘Bom de Bola, Bom na Escola’, projeto cujas atividades começaram em 29 de abril de 2002. O projeto foi desenvolvido pelo Grupo Fischer até a Citrosuco S/A Agroindústria assumi-lo em maio de 2013. Em janeiro de 2017, o projeto foi terceirizado para a Associação Atlética Bom de Bola, Bom na Escola, continuando com apoio da Citrosuco.
O apoio da empresa foi encerrado em junho de 2017 e a mencionada associação tentou manter o projeto, mas não obteve sucesso por falta de apoio/patrocínio, encerrando o ‘Bom de Bola, Bom na Escola’ em julho de 2017. A associação teve Wilson à frente, acompanhado de sua família. Por enquanto, a associação está mantida, mas seus responsáveis estão incertos quanto à continuidade.
Os garotos treinaram em alguns campos de Matão antes do projeto ganhar uma sede própria no campo do Parque Aliança, por permissão de uso por parte da Lei nº 3.424 (24 de março de 2004) do saudoso ex-prefeito Jayme Gimenez. Esta legislação foi revogada pela Lei nº 5.070 (13 de junho de 2017), do prefeito Edinardo Esquetini, que permitiu o uso do Estádio ‘Luizinho Pereira’ na Vila Maria.
Depoimentos
“Um amigo proativo, solidário, que esteve debaixo do meu guarda-chuva pelo menos duas vezes quando cobríamos no gramado a participação da Matonense na Série A-1 e ‘choveu pra dedel’. Fizemos juntos a jornada no kart dos Irmãos Pinotti (Hugo, Rodrigo e Thiago) e, menos vezes, as de Antonio Carlos Chiozzini Júnior (Juninho) e Ricardo Pedro em Ribeirão Preto. Nas Copas do Mundo, a pedido de Serginho Gabriel (editor de A Comarca), ele me transmitiu seus prognósticos sobre a Seleção Brasileira. Em 1997, junto a depoimentos de outros integrantes da imprensa, colhi o dele sobre como seria a participação da Matonense na Série A-1. A partir de então, sempre que pediu algo para A Comarca, era eu quem o atendia. E sempre foi atendido. Somente referente ao ‘Bom de Bola, Bom na Escola’ são mais de 20 matérias. E há outras neste farto convívio... Perco um grande parceiro, um amigo na imprensa de Matão. Fique com Deus, Wirsão!”.
Rogério Bordignon, jornalista.
“Uma pessoa fantástica, do bem, um profissional metódico. Quantas lembranças boas, quantos momentos convividos profissionalmente e por amizade nós tivemos... Queria o bem dos outros e atuava por isso, sem sequer pensar nele. Amou tanto a Matonense que parecia que o time era dele! Lutou muito pela Matonense, pelo projeto ‘Bom de Bola, Bom na Escola’, por Matão. Uma das coisas mais importantes que aconteceu na vida foi ser amigo do Wilson Rodrigues. Estou emocionado e sinto muito a partida dele”.
Ronaldo Camargo, radialista e narrador esportivo.
“Guerreiro, lutador, leal, excelente profissional, excepcional pai de família. Companheiro de todos os que conviveram com ele. Um ser humano muito sincero. De onde ele estiver, virão boas energias de proteção e aconselhamentos para nós que aqui ficamos. Amou a Saudades FM, a TVM, amou tudo o que fez! Sempre senti que o Wilson gostou de mim e isso me valoriza muito. Nossos sentimentos à família dele e à multidão de amigos que o Wilson fez. Meu amigo, continuamos juntos aqui, pensando o melhor para você, onde estiver”.
Theodoro Marischen, diretor-proprietário do Grupo Centro Paulista de Comunicação.
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