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Cultura e Variedades

Grupo de leitura - Um convite para Urdiduras virtuais

Novo encontro do Grupo de Leitura está previsto para o próximo dia 22

Do acervo · publicada originalmente em 4 de setembro de 2020

Fonte: Rogério Bordignon

Foto: Acervo A Comarca

Grupo de leitura - Um convite para Urdiduras virtuaisAcervo · 2020
Grupo de leitura - Um convite para Urdiduras virtuais

Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Ude) protagoniza um Grupo de Leitura que, até o início do distanciamento social anti covid-19, se reunia na Casa Pipa. “É o ‘Urdiduras’. Além do sentido de trama, tão caro à literatura, o termo brinca com o meu nome. Foi uma criação do Juliano que pegou”, resume Ude. Juliano Jacopini é o criador do ‘Urdiduras’. O coordenador da Casa Pipa reuniu o grupo com o intuito de provocar encontros mensais de pessoas interessadas em urdir a literatura. “Além disso, temos pensado em estender o prazer da leitura a outros grupos, como estudantes do Ensino Médio, crianças”, comenta Ude.

O ‘Urdiduras’ começou em março de 2019 e, desde então, a Casa Pipa recebeu pessoas interessadas nas leituras propostas, sempre às terceiras terças-feiras de cada mês. O grupo é aberto a todas as pessoas que se interessem por literatura. “Não há qualquer impedimento. Basta que a pessoa queira ler e participar das discussões. Não há qualquer compromisso dos interessados, de nenhuma espécie. Se não quiser participar de algum encontro, não há problema. O grupo é aberto, livre e acolhedor”, sintetiza.

Juliano tem uma lista de WhatsApp com o nome dos frequentadores e organiza as reuniões, lembrando as datas, as leituras etc. “No dia e horário marcados, vamos até a Casa Pipa e realizamos o encontro. Agora, com a pandemia, temos nos encontrado pelo Google Meet e tem dado muito certo. Claro que falta o encontro presencial, a troca de energia, de emoção”, lamenta Ude. “Mas o grupo continua forte. Às vezes, fazemos reuniões abertas, como foi o caso da última em agosto, com a leitura de ‘Morte e Vida Severina’, de João Cabral de Mello Neto, em homenagem ao centenário do autor. Nesse caso, houve uma divulgação prévia e algumas pessoas de outras cidades participaram. Foi muito interessante”, considera.

Em cada encontro, o grupo decide o que será lido para o encontro seguinte. Na reunião de apresentação do projeto foram lidos poemas de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, entre outros. A partir daí: ‘O filho eterno’, de Cristóvão Tezza; ‘Madame Bovary’, de Gustave Flaubert; ‘Bufo & Spallanzani’, de Rubem Fonseca; ‘O evangelho segundo Jesus Cristo’, de José Saramago; ‘Dois Irmãos’, de Milton Hatoum; ‘Campo Geral’, de João Guimarães Rosa; ‘A paixão segundo GH’, de Clarice Lispector, entre outros.

A partir do último mês de março começaram os encontros virtuais. “O grupo funciona como alento para pessoas que não saem de casa; temos leituras, conversas, a experiência de cada um. É muito importante que as pessoas possam se encontrar em torno de uma experiência de leitura que reflete o saber acumulado de tantas gerações, de tantos lugares diferentes e que deram algum sentido ao mundo”, diz Ude.

O próximo encontro deverá acontecer no dia 22. “Leremos ‘Abrolhos’, de Juliano Jacopini. Imagino que ainda o faremos de forma virtual, para evitar sair de casa”, informa. O coordenador manda para o grupo o endereço do encontro e o disponibiliza, também, na página da Casa Pipa. Para participar ou integrar o grupo, basta entrar em contato com Juliano (99114-3308) ou com a página de ‘Urdiduras’ nas redes sociais.

“A maior qualidade do grupo é a diversidade de pessoas com idades diferentes, profissões as mais diversas e que têm em comum a paixão pela literatura. Há alguns projetos da Casa Pipa para levarmos o ‘Urdiduras’ às escolas, especialmente as dos bairros mais afastados. Mas justamente quando estávamos preparando tais projetos, veio a pandemia e fechou tudo. Daremos continuidade a eles, como forma de incentivarmos o gosto pela leitura nas crianças e jovens”, perspectiva Ude.

RECONHECIMENTO

A protagonista destaca a atuação da Casa Pipa. “No momento, a Casa Pipa foi premiada como Ponto de Cultura, sendo reconhecidas as suas atividades, bem como as da ONG Ocara. É um trabalho muito importante para a cidade, pela qualidade das atividades e, especialmente, porque congrega trabalhos de várias linguagens artísticas, que encontram na Pipa um lugar para desenvolver”, menciona.

“Além da ONG Ocara, funciona lá na Pipa a Cia Labirinto, com a colaboração do Grupo Vocal Coro e Osso. A Casa Pipa se mantém por parcerias que sempre se expandem. No momento, há um projeto em desenvolvimento com o Preá, do segmento alimentício. Agradeço a todas as pessoas que ajudam a Casa Pipa a continuar existindo e ao nosso coordenador, Juliano, mentor do ‘Urdiduras’”, conclui Ude.

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