Cirurgias eletivas continuam suspensas
Falta de medicamento utilizado em UTIs pode afetar o retorno
Do acervo · publicada originalmente em 29 de setembro de 2020
Fonte: Mariluci Schiavetto
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020A crise de saúde gerada pela disseminação do novo coronavírus fez com que as cirurgias eletivas – como são chamados os procedimentos que não têm urgência – fossem canceladas. O agendamento está suspenso desde março, quando teve início a crise sanitária no Brasil decorrente da pandemia de covid-19. A suspensão foi providenciada para poder garantir leitos de enfermaria e de UTI para pacientes com covid-19. Nesse período, apenas as cirurgias de urgência e emergência – como oncológicas, cardíacas, de politraumas – são realizadas.
Segundo o médico César Minelli, diretor técnico do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, a situação do sistema de atendimento ainda merece atenção. “Temos muitos pacientes internados com suspeita de covid-19 aguardando confirmação, os pacientes já diagnosticados com a doença e os que estão na UTI, que necessitam de muitos cuidados e medicamentos especiais em falta no mercado, como os neuromusculares”, explica Minelli.
A falta de medicamentos de intubação e de sedação pode prejudicar o tratamento das pessoas com covid-19 e também de outros pacientes graves internados em UTIs. São hipnóticos, analgésicos, bloqueadores neuromusculares e drogas de suporte hemodinâmico (para controlar a pressão arterial) que são usadas em anestesias e UTIs. Tais medicamentos são necessários em cirurgias, bem como em exames que exigem a sedação dos pacientes. A falta deles, provocada pelo aumento da demanda durante a pandemia, é uma realidade em hospitais públicos e particulares de todo o país.
No Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ são realizadas atualmente apenas cirurgias de urgência e emergência. “Cirurgias que podem esperar estão suspensas. Realizamos apenas os procedimentos que não requerem anestesia geral por necessitar dos bloqueadores neuromusculares que estão em falta. Os laboratórios não conseguem entregar. Reservamos esses medicamentos para pacientes graves na UTI, que estão entubados e precisam de respirador e cirurgia de urgência”, diz Minelli.
Ainda de acordo com o médico, o hospital iniciará nesta semana a elaboração de um plano para o retorno das cirurgias eletivas. “Iniciaremos a elaboração de um planejamento para retomar as atividades habituais gradativamente, pois ainda temos muitos pacientes internados com covid-19 que necessitam de cuidados e medicamentos especiais em falta no mercado”, informa.
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