Quatro desafios que afetam a rentabilidade do produtor rural
ARTIGO - PAULO TOLEDO FILHO
Do acervo · publicada originalmente em 5 de agosto de 2020
Fonte: PAULO TOLEDO FILHO
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Que o agronegócio é o principal responsável pelo superávit na balança comercial brasileira, líder na pauta das exportações e responsável por 22% do PIB, já é de conhecimento de todos. Especialmente no atual cenário de pandemia que estamos vivendo, o papel do agro torna-se mais relevante e o protagonista dessa história – o produtor rural – vem trabalhando incansavelmente para produzir alimentos e colocá-los na mesa de todos.
No entanto, alguns grandes e complexos desafios afetam substancialmente a rentabilidade do produtor rural brasileiro. São eles: logística, armazenagem estática, seguro rural e crédito. Somos competitivos no gerenciamento ‘dentro da porteira’. O produtor brasileiro sabe como produzir, e os sucessivos recordes de produtividade safra após safra comprovam isto. Porém, problemas referentes à infraestrutura – ‘fora da porteira’ – são sistêmicos e atingem silenciosamente a rentabilidade do produtor.
Logística: O desafio da logística refere-se à baixa qualidade do escoamento da safra, que sofre com os problemas de infraestrutura. Apesar do grão brasileiro ser um dos mais baratos, o transporte deixa o valor similar ao dos outros países, principalmente o americano. Os maiores custos logísticos reduzem diretamente da margem do produtor.
Armazenagem estática: Refere-se à capacidade de protegermos nossa safra da volatilidade do mercado e não termos que vender na urgência pelo preço atual ofertado. Na falta de armazenagem resta a venda à vista do grão que não teve sua venda futura feita no preço corrente do mercado. Na medida em que precisam vender no preço à vista, os produtores ficam expostos à volatilidade e reduzem suas margens.
Seguro: O clima é o maior fator de risco na agricultura. Há quem deseje ser remunerado por se expor a esse risco (as seguradoras) e aqueles que servem de fonte de exposição, devido a sua atividade (os produtores rurais). Para que faça sentido nas duas pontas, o valor dos prêmios pagos aos tomadores de risco deve ser compatível com a perda esperada historicamente. No mundo inteiro, a compatibilização dessa equação é feita por meio de subvenção aos prêmios pagos. Visto que a política agrícola brasileira apenas recentemente mudou seu enfoque de subvenção do crédito para o seguro e há uma carência de informações de produtividade agrícola, apenas 24% das lavouras brasileiras é segurada (12% em seguro privado e 12% do Proagro). A comparação com os 92% de cobertura de lavouras americanas mostra a exposição climática que temos.
Crédito: O produtor brasileiro não tem liquidez. Ele tem um grande patrimônio – sua terra. Para produzir a safra, ele depende de dinheiro (capital de giro) para comprar sementes, fertilizantes, defensivos, que geralmente são financiados. Pode-se dizer que o importante insumo para safra brasileira é, no final, o crédito. Por conta disso, o custo do crédito impacta diretamente na rentabilidade do produtor rural, pois uma maior taxa de juros reduz margens. As taxas de juros livres praticadas na agricultura eram, até pouco tempo, incompatíveis com as margens dos produtores, motivo pelo qual o crédito subsidiado era tão importante. Agora, o crédito subsidiado tanto encareceu quando minguou, forçando produtores a buscar financiamento privado.
Um problema puxa o outro e entramos num ciclo vicioso. Armazenagem, crédito e logística ineficazes causam margens menores, o que por sua vez reduz a oportunidade de investimento dos produtores. Com menos investimento, ele continuará com baixa capacidade de armazenagem e crédito caro, mantendo suas margens baixas. As margens baixas dificultam a contratação de seguros climáticos, mantendo os produtores e, consequentemente, toda a cadeia expostos ao clima. Por sua vez, a ausência de seguro agrícola contribui para maior insegurança, elevando o custo do crédito, que passa a computar o risco de perda atribuído a ele.
No agro, esses quatro grandes pilares precisam ser trabalhados e melhorados para o setor manter sua competitividade internacional. A esfera governamental precisa contribuir com uma política clara, de apoio, segurança e respaldo. Porém, o agricultor pode e deve fazer sua parte. Um bom planejamento é a base para auxiliar o produtor a definir prioridades e a tomar decisões certas, minimizando os impactos na rentabilidade final. Reconhecer que a propriedade rural deva ser tratada como uma empresa, com profissionalismo, controle e gestão por indicadores, certamente é o primeiro passo para uma geração de caixa forte e lucros contínuos.
A Agrivitta, empresa com mais de 40 anos de tradição sediada em Matão e atuação em grande parte do Estado de São Paulo, insere-se neste contexto. Proporcionamos ao agricultor a melhor experiência em seus negócios, oferecendo todo suporte técnico com uma equipe especializada, portfólio completo, planejamento de safra e auxílio na tomada de decisões. Com simplicidade, proximidade e transparência.
Rendemos aqui nosso reconhecimento e homenagens ao homem do campo pelo seu dia – 28 de julho, Dia do Agricultor.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.








