PROFª. BEBEL - Autoritarismo de Doria não vai nos intimidar
ARTIGO - PROFª. BEBEL
Do acervo · publicada originalmente em 11 de agosto de 2020
Fonte: PROFª. BEBEL
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020No último dia 29, convocados pela Apeoesp, professoras e professores de todas as regiões do Estado, em mais de 250 carros, compareceram às imediações do Palácio dos Bandeirantes para a grande carreata contra a volta às aulas presenciais e pela instituição de auxílio emergencial e pagamento de salários aos professores das Categorias O, S e V. Como já assinalamos anteriormente, o agendamento da volta às aulas presenciais para o próximo dia 8 de setembro é uma irresponsabilidade que colocará em risco a vida de milhões de estudantes, de milhares de professores e funcionários e as famílias de todos. Por isso, não aceitamos a volta das aulas presenciais.
Essa, inclusive, foi a posição unânime adotada por mais de 900 participantes da Audiência Pública realizada em ambiente virtual pelo meu mandato popular na Assembleia Legislativa, em conjunto com o mandato do deputado estadual Emídio de Souza, no último dia 27, que contou a participação do infectologista Hélio Bacha, da arquiteta Beatriz Goulart, de representantes do Ministério Público (Geduc), Defensoria Pública e de entidades da educação, estudantis, CUT, Conlutas e da sociedade civil.
Nossa carreata também teve a participação de servidores da área da saúde, mobilizados pelo Sindsaúde. Esses profissionais têm sido a linha de frente da defesa da vida, arriscando-se no atendimento à população em hospitais mal equipados e muitas vezes sem os equipamentos mínimos de proteção individual. Foram pedir respeito, valorização, segurança no trabalho e, no caso dos servidores do Iamspe, que o Governo Estadual lhes pague benefícios salariais que não vêm sendo cumpridos. A Afuse e a CUT/SP também estiveram representadas na carreata.
Porém, incapaz de promover o diálogo e dar respostas às demandas dos professores, dos demais profissionais da educação, dos funcionários, dos servidores da saúde e da população de forma geral, João Doria agiu da mesma forma como age perante todas as reivindicações e manifestações que lhe são dirigidas: com descaso e autoritarismo. Simplesmente mandou a Polícia Militar (PM) bloquear todas as rotas para o Palácio dos Bandeirantes, impedindo a carreata.
Mesmo quando decidimos realizar o percurso a pé, os policiais mantiveram o bloqueio, impedindo a minha passagem, mesmo tendo conhecimento de minha condição de deputada estadual. Fui empurrada e tive meu caminho impedido pela força, quando procurei, de forma legítima, abrir passagem rumo ao Palácio dos Bandeirantes, que deveria estar sempre aberto aos parlamentares e demais representantes dos trabalhadores e da população.
Postura bem diferente vem tomando alguns prefeitos com os quais é possível dialogar e que assumem posição responsável neste momento de pandemia. É o caso, por exemplo, dos prefeitos de Ribeirão Pires e de Rio Grande da Serra, que não pretendem retomar as aulas presenciais em 2020 e debaterão esse posicionamento em reunião do consórcio de municípios do ABC.
Esse tipo de atitude autoritária do governador não nos irá intimidar. Continuaremos firmes em nossa luta e decidiremos, no âmbito das instâncias do nosso sindicato, os passos a seguir. Não voltaremos às aulas presenciais e seguiremos firmes na defesa da vida, dos serviços públicos, dos direitos da classe trabalhadora e da democracia.
Maria Izabel Azevedo Noronha (Profª. Bebel) é deputada estadual, presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesp e presidente da Apeoesp
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