Produção de suco de laranja deverá crescer 33% em dez anos
Projeção da Fiesp aponta que país produzirá 1,3 milhão de toneladas em 2028/2029
Do acervo · publicada originalmente em 28 de agosto de 2020
Fonte: Agência Indusnet Fiesp
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Produtores de citros do estado de São Paulo e do sul de Minas Gerais têm motivos para comemorar, pois as regiões que concentram a maior parte da produção de plantas cítricas do país tiveram desempenho excelente em 2019 com o crescimento de quase 100 milhões de caixas da commodity em relação à safra anterior.
E tudo indica que os ventos devem continuar favoráveis aos produtores dessa cultura, já que projeções do Outlook Fiesp 2029 – levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – indicam que o Brasil produzirá 1,3 milhão de toneladas de suco de laranja em 2028/2029, o que representa crescimento de 33% em relação à safra de 2018/2019.
Embora haja tendência de decréscimo global no consumo do produto, uma eventual perda de controle dos Estados Unidos sobre seus problemas fitossanitários pode aumentar a competitividade do Brasil no mercado global. Internamente espera-se que, embora a área plantada no Brasil permaneça relativamente estável, os pomares novos continuem adotando maior adensamento de plantas e, assim, melhorando sua produtividade.
As estimativas para a demanda doméstica por suco de laranja e para a exportação do produto também são otimistas. De acordo com a pesquisa, a demanda dos brasileiros deve chegar a 45 mil toneladas em 2028/2029, um aumento de 13% em comparação à 2018/2019. Já o número de toneladas exportadas deve saltar para 1,3 milhão em 2029, crescimento de 30% em uma década.
A Flórida, maior estado produtor de citrus dos Estados Unidos, retomou sua produção na safra 2018/2019 para 74 milhões de caixas, ante 45 milhões de caixas na safra de 2017/2018, seu pior desempenho histórico. Neste país, a safra 2019/2020 deve manter-se estável, de acordo com dados do USDA. No Brasil, as regiões que concentram a produção de citros (São Paulo e o sul de Minas Gerais) tiveram desempenho excelente em 2019, com crescimento de quase 100 milhões de caixas sobre a safra anterior.
Com maiores ofertas na Flórida e no Brasil, as cotações do suco congelado no mercado internacional ficaram pressionadas, já que a demanda pelo produto apresenta curva descendente há anos. No entanto, embora nossa safra seja boa, os preços pagos aos produtores brasileiros pelas caixas de laranja mantiveram-se em patamares remuneradores porque problemas climáticos acabaram afetando a disponibilidade de frutos de qualidade para a indústria e para o consumo de mesa.
MAIOR DEMANDA
No mês de março, a pandemia do coronavírus impactou o setor: as cotações futuras do suco de laranja subiram mais de 20% desde o início do mês. Esse movimento de alta nos preços pode estar relacionado à maior demanda pelo produto em nível global. As pessoas intensificaram o consumo de produtos ricos em Vitamina C, para elevar a imunidade.
Entretanto, vale ponderar que, embora exista o alento nos preços do produto, ele deve ser limitado ao período de duração desta pandemia. A crise global pós-pandemia provocará uma recessão que poderá afetar o consumo de suco de laranja. Para a safra da fruta que será colhida em 2020, o Brasil volta para um ano de baixa do ciclo de produção.
Segundo o Cepea-USP, a perspectiva é de que as cotações sigam elevadas pelo menos até o início da colheita das precoces de 2020/2021, prevista para meados de março. A expectativa para os próximos anos é de que as margens dos produtores devem se manter em nível remunerador. A área plantada continuará relativamente estável, mas os pomares novos têm adotado maior adensamento das plantas, o que melhora sua produtividade.
A situação da produção citrícola na Flórida é fundamental para os cenários futuros. Caso retome sua produção de maneira mais acentuada, o Brasil perde espaço em um mercado de consumo decrescente. Caso contrário, se os Estados Unidos voltarem a perder o controle sobre seus problemas fitossanitários, poderá haver algum incremento da competitividade do Brasil no mercado global.
Nosso cenário-base é de estabilização da produção americana no período, com tendência de queda na área e aumento da produtividade nos pomares remanescentes. A tendência de decréscimo global no consumo de suco de laranja deve persistir, pois a sua substituição por outras bebidas continua acontecendo e ainda não existe crescimento suficiente nos países emergentes para compensar a perda de mercado nos principais consumidores mundiais.
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