Desempenho da pequena indústria volta a crescer
Índice mostra aproximação com a média histórica, mas aumento é insuficiente
Do acervo · publicada originalmente em 17 de agosto de 2020
Fonte: assessoria de comunicação da cni
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020A crise provocada pela pandemia do coronavírus arrefece, mas ainda pode ser percebida nos dados do Panorama da Pequena Indústria do segundo trimestre. O estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o desempenho, a situação financeira e a confiança da pequena indústria estão abaixo da média histórica e dos patamares registrados no início do ano. Apesar do cenário negativo, as pequenas indústrias acreditam que a situação melhorará. Com alta de 6,6 pontos, o Índice de Perspectiva chegou a 46,1 pontos e ultrapassou em 0,8 ponto a média histórica.
A elevada carga tributária voltou a ocupar o posto de principal problema enfrentado em todos os segmentos industriais no segundo trimestre. Na indústria de transformação, a demanda interna aparece logo em seguida como segunda maior dificuldade. Resultado da redução ou mesmo paralisação da produção na pandemia, do impacto no comércio internacional e da interrupção das cadeias de logística, a falta ou alto custo da matéria-prima assumiu a terceira posição no ranking no segundo trimestre de 2020.
“Os dados revelam que ainda há um caminho a ser percorrido para superarmos o desafio imposto às empresas pela pandemia, mas avançamos em relação a abril, que cada vez mais tem se consolidado como o pior momento da crise. O panorama reforça a importância da reforma tributária em discussão no Congresso Nacional como ponto crucial para a retomada da atividade econômica em médio e longo prazo”, comenta o gerente executivo de Política Industrial da CNI, João Emilio Gonçalves.
RECUPERAÇÃO
O Índice de Desempenho da pequena indústria registrou alta de 7,5 pontos – para 41,3 pontos. É a segunda alta consecutiva desde o tombo registrado em abril, quando o indicador ficou em 27,1 pontos. Ainda assim, o dado mostra que a atividade da pequena indústria está abaixo da média histórica de 42,8 pontos. O cenário mais desafiador é encontrado no Índice de Situação Financeira da Pequena Indústria, que segue comprometido.
O relatório do Panorama da Pequena Indústria mostra que a pequena melhora da situação financeira no trimestre pode ser explicada pelos diversos ajustes de produção, emprego e estoques realizados pelas empresas durante a pandemia, passado o choque de março e abril. Mesmo com o aumento de 1,2 ponto em relação ao primeiro trimestre, o valor de 33,2 ainda é 3,2 pontos menor que o registrado no segundo trimestre de 2019 e encontra-se 3,9 pontos abaixo da média histórica.
CONFIANÇA AUMENTOU
Apesar das condições atuais adversas, a confiança dos empresários se recupera. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) das pequenas empresas aumentou em junho (+7,2 pontos) e julho (+ 6,8 pontos), após tombo histórico em abril (-25,2 pontos) e estabilidade em maio (+0,2 ponto). O indicador ainda permanece abaixo dos 50 pontos, o que significa que o viés é de falta de confiança, embora em menor intensidade. “A falta de confiança contribui para a paralisação dos investimentos e dificulta a recuperação da atividade econômica”, ressalta o relatório.
SOBRE O PANORAMA
O Panorama da Pequena Indústria elenca quatro indicadores: desempenho, situação financeira, perspectivas e índice de confiança. Todos os índices variam de 0 a 100 pontos. Quanto maior ele for, melhor é a performance do setor. A composição dos índices leva em consideração itens como volume de produção, número de empregados, utilização da capacidade instalada, satisfação com o lucro operacional e situação financeira, facilidade de acesso ao crédito, expectativa de evolução da demanda e intenção de investimento e de contratação.
A pesquisa é divulgada trimestralmente com base na análise dos dados da pequena indústria levantados na Sondagem Industrial, na Sondagem Indústria da Construção e no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI). Todos os meses, as pesquisas ouvem mais de 900 proprietários de empresas de pequeno porte.
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