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Saúde

Agosto Dourado é dedicado à importância da amamentação

Campanha visa conscientizar sobre o aleitamento e o impacto da alimentação infantil no meio ambiente

Do acervo · publicada originalmente em 13 de agosto de 2020

Fonte: Ana Luiza Otrente Batista (Estagiária)

· Leitura de 5 min

Foto: Acervo A Comarca

Agosto Dourado é dedicado à importância da amamentaçãoAcervo · 2020
Agosto Dourado é dedicado à importância da amamentação

 Agosto é celebrado como o mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno exclusivo durante, pelo menos, os primeiros seis meses de vida da criança. Essa campanha, criada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em 2017, se uniu à Semana Mundial do Aleitamento Materno – que neste ano aconteceu de 1º a 7 de agosto – e tem o intuito de incentivar e informar sobre a amamentação. “Afinal, não se trata de instinto, aleitamento é um aprendizado”, explica Thais Baldan de Camargo, fonoaudióloga consultora em amamentação e coordenadora do Posto de Coleta de Leite Humano do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’.

Em Matão sempre acontecem encontros, palestras e workshops sobre aleitamento, especialmente nos cursos para gestantes oferecidos pelo Hospital. Em decorrência da pandemia do coronavírus, todos os eventos presenciais foram cancelados e não há previsão de quando voltarão a acontecer. No entanto, o Agosto Dourado – que recebeu esse nome da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao ‘padrão ouro’ do leite humano, que faz dele um alimento insubstituível para o desenvolvimento da criança – segue na pauta de jornais, blogs e redes sociais durante todo o mês. De forma virtual, mães, pais, profissionais da área da saúde e especialistas em aleitamento materno têm compartilhado dados sobre o assunto, fazendo a campanha ganhar notoriedade. Como exemplo, a Semana Mundial do Aleitamento Materno, com o lema ‘Apoiar a Amamentação para Um Planeta Mais Saudável’, adaptou-se ao formato remoto e contou com um cronograma online de encontros e palestras.

Neste ano, tanto a Semana Mundial do Aleitamento Materno quanto o Agosto Dourado visam relacionar o impacto da alimentação infantil no meio ambiente. “Além de tratar dos benefícios da amamentação ao bebê e à mulher, a campanha também aponta outros benefícios indiretos pouco lembrados, como toda a questão da sustentabilidade ambiental em função dos resíduos gerados pelo consumo de leite artificial”, conta Thaís Durante Cespedes Silveira, doula, esteticista e mãe de Arthur e Francisco. Dentre outras ações, o aleitamento não-exclusivo – ou seja, quando o leite humano não é o único alimento do bebê – combinado com a utilização de latas de metal, mamadeiras e chupetas de plástico e outros produtos não biodegradáveis geram poluentes da água, do solo e do ar, podendo levar décadas e até séculos para se decomporem no meio ambiente. A campanha de 2020 propõe pensar sobre o aleitamento materno como uma forma ecológica, saudável e, consequentemente, mais econômica por ser um recurso sustentável natural.

O leite humano é essencial para a vida porque contém tudo que uma criança precisa para se desenvolver de forma saudável até, pelo menos, os seis meses de vida. Já a OMS recomenda que uma criança mame até os 2 anos, pois o leite materno possui sais minerais, vitaminas, anticorpos, proteínas, água e gordura. E o processo de amamentação é ainda mais rico, pois permite a criação de laços entre a mãe, o pai e o bebê. “Ter um mês dedicado exclusivamente para falar sobre amamentação é essencial, visto que as pessoas precisam ser orientadas e ter informações. Amamentar não é somente alimentar; é vínculo, é saúde. Por exemplo: uma criança que mamar bem fortalecerá toda sua musculatura para o desenvolvimento cognitivo da fala e da mastigação, além de ser notório o menor índice de infecção de garganta na criança bem amamentada, pois ela aprende a respirar pelo nariz e não pela boca”, informa Thais Baldan.

MÃES COMENTAM

No Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unecef), apenas 40% das crianças com até seis meses de idade são alimentadas exclusivamente com leite materno. “Faltam informação e, principalmente, apoio às mulheres, o que pode induzir a erros no processo de aleitamento como o uso de bicos artificiais que confundem o bebê e atrapalham na pega correta, além da difusão de ‘mitos’ que são reproduzidos diariamente por uma sociedade influenciada pela indústria alimentícia – que, por sua vez, não tem interesse nenhum que o aleitamento materno seja incentivado. Amamentar dói. Amamentar cansa. Também é um ato de amor, claro, mas não amamento somente por amor, amamento porque é o melhor que posso oferecer para os meus filhos. E digo isso porque poderia dar a entender que as mães que não conseguiram amamentar não amam os seus filhos, e é óbvio que isso não é verdade”, relata Thaís Silveira, que completa: “Se não houver uma forte conscientização sobre todo esse processo, a amamentação se torna quase impossível”.

Jussara Gomes Zandomenighi, auxiliar administrativa e mãe de Isis, de apenas 1 mês e 10 dias, confirma que receber apoio é fundamental. “A amamentação sempre foi um grande desejo meu, tanto pelos muitos benefícios quanto por ser uma opção mais saudável que traz apenas coisas boas para a Isis. Mas, no começo, foi muito difícil. Tive problemas com a pega correta e com os bicos muito machucados; no entanto, nunca passou por minha cabeça desistir do aleitamento, justamente por sempre ter pessoas ao lado me dando forças”, conta. Outras dificuldades podem surgir, como lidar com uma sociedade que ainda tem preconceito e constrange mulheres que amamentam em público; ou, por exemplo, ser acometida pelo ingurgitamento mamário, ou seja, quando o bebê mama bastante e, mesmo assim, a mãe continua produzindo leite em excesso. No primeiro caso, redes de apoio são essenciais para que mulheres não se sintam constrangidas por um ato natural, além da campanha Agosto Dourado ter papel fundamental na conscientização da população. Quanto ao segundo caso, uma opção viável é a doação de leite materno.

Em Matão, o Posto de Coleta de Leite Humano localizado no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ tem funcionamento das 7 às 17 horas, de segunda a sexta-feira. Para realizar a doação de leite é necessário seguir algumas regras. São elas: com a paramentação correta (toucas, máscaras e higienização das mãos), é preciso que a mãe sempre retire o leite, em casa, antes ou depois de todas as mamadas do bebê, e o guarde em um frasco de vidro com tampa plástica. Em todas as quartas-feiras, no período da tarde, o Posto de Coleta busca o leite na casa das doadoras. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3383-2500, ramal 2133. Com base na Lei nº 13.227, a doação de leite humano tem o dia 19 de maio como data exclusiva para ser celebrada. Este ato tão importante pode proporcionar o surgimento ou a continuação de um ciclo de amor e saúde, como é o aleitamento, para muitas mães e bebês.

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