Falta de testes dá falsa sensação de que covid está sob controle
Pessoas assintomáticas podem estar transmitindo o vírus sem saber
Do acervo · publicada originalmente em 16 de julho de 2020
Fonte: Ana Luiza Otrente Batista (Estagiária)
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Desde quando o Governo do Estado decretou medidas de isolamento social devido à pandemia da covid-19 causada pelo novo coronavírus, a fim de evitar contaminações em massa, o número de infectados pela doença ainda não para de crescer, totalizando 386.607 pessoas infectadas e 18.324 mortes no estado (até o dia 16/07). No entanto, como explica o médico César Minelli (diretor técnico do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’), “os estudos estão mostrando que o número real de casos no Brasil pode ser de sete a dez vezes maior, porque a testagem não tem atingido nem 20% do que foi proposto inicialmente. Isso dificulta muito identificar as pessoas que são portadoras assintomáticas de covid-19 e que poderiam estar isoladas, contendo a propagação da doença”.
Segundo Minelli, os dois testes principais para se identificar a presença do material genético do vírus têm sido: o teste RT-PCR, que utiliza um pequeno bastão com um algodão na ponta e colhe amostras do fundo do nariz e da garganta, ideal para pessoas que apresentam os sintomas da covid-19; e o teste rápido feito por meio do exame de sangue, utilizado para detectar a presença de anticorpos contra o vírus. Porém, ambos podem indicar um falso negativo ou falso positivo. No caso do teste RT-PCR, quando pessoas assintomáticas realizam o exame, as chances de um resultado falso negativo (a pessoa estar com a doença, mas o teste não apontar) são grandes porque a quantidade de vírus é muito pequena para aparecer no exame. Na testagem rápida acontece o contrário: um falso positivo pode surgir quando o resultado indicar que a pessoa está com o vírus, mesmo que ela não tenha a doença nem apresente os sintomas. Para um resultado realmente preciso, a indicação de César Minelli é de que sejam feitos os dois testes concomitantemente.
Além da incerteza quanto aos resultados, a falta de testes em massa na população também é um grande problema, pois pode transmitir a falsa sensação de que a doença esteja sob controle. A Organização Mundial da Saúde (OMS) trata como fundamental a testagem e o rastreamento dos casos de covid-19, a fim de frear o avanço da doença. César Minelli argumenta que “a vantagem de testar muitas pessoas é a condição de conseguir identificar onde estão essas pessoas infectadas pelo vírus. Com a confirmação do caso, devem ser feitos o isolamento dessa pessoa e o seu acompanhamento, além de isolar os comunicantes para evitar que eles também contaminem outros indivíduos, pois, às vezes, eles não têm sintomas, mas estão disseminando a doença”. Minelli complementa que há muitas dificuldades em logística para a testagem em massa ser realizada, demandando um investimento muito alto; porém, sem ela, a quantidade divulgada de casos continuará sendo bem distinta da realidade.
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