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Negócios

Agro brasileiro vive bom momento - entrevista com Francisco Matturro

Vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) comenta sobre a situação e as perspectivas

Do acervo · publicada originalmente em 8 de julho de 2020

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 5 min

Foto: Acervo A Comarca

Agro brasileiro vive bom momento - entrevista com Francisco MatturroAcervo · 2020
Agro brasileiro vive bom momento - entrevista com Francisco Matturro

Oficialmente, o ‘Ano Safra’ se encerrou na última terça-feira (30), tendo começado no dia 1º de julho de 2019. Em todo ano, este período abrange a ‘Safra’ e a ‘Safrinha’ – que já pode ser considerada uma ‘Segunda Safra’. No entanto, compreendendo o período anual findado na terça-feira (30) e reiniciado na quarta-feira (1º), A Comarca entrevistou Francisco Matturro, presidente da Agrishow e vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), sobre o bom momento do agronegócio brasileiro, apesar da pandemia do coronavírus/covid-19.

Qual o valor que o Brasil obterá em exportações na atual safra?

Em 2020, ultrapassaremos US$ 100 bilhões em exportações, gerando superávit na balança comercial, trazendo divisas para o Brasil, gerando emprego e renda no campo e nas cidades. O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, café, soja e cana de açúcar. É também um dos maiores produtores de milho, algodão e carnes bovina, de frango e suína.

A China compra 35% do que vendemos ao exterior. Isso é bom ou ruim?

Ter um cliente que compra 35% do que produzimos é muito bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque, de certa forma, é uma tranquilidade e certeza do escoamento da produção. Ruim porque é uma quantidade muito concentrada e o país e/ou exportadores privados não têm contrato de longo prazo. Também é ruim devido à China comprar produtos primários, sem quase nada de valor agregado.

O que é feito para a conquista de novos mercados?

O Brasil exporta para mais de 160 países e novos mercados são abertos para os produtos do Agro, tanto produtos primários como processados e industrializados. O Ministério da Agricultura faz um trabalho gigante no desenvolvimento de outros mercados – como o Mundo Árabe, que não tem condições de produzir devido ao clima, fertilidade de solo. Eles também não possuem indústrias de processamento, o que elevará o valor das exportações brasileiras, gerará mais emprego e renda no Brasil. É sempre bom lembrar que são produtores de petróleo, têm muito dinheiro e uma população gigantesca que precisa de alimentos. Isso para citar somente um exemplo. O Ministério da Agricultura trabalha fortemente para desenvolver outros mercados na Ásia, como a Índia – país com mais de 1,3 bilhão de pessoas. O Governo Federal, ao longo dos anos, tem sido ótimo parceiro do Agro, pois disponibiliza linhas de crédito principalmente aos pequenos e médios produtores, juros compatíveis com a atividade e prioriza setores em que o Brasil tem mais deficiência.

E quanto à nossa infraestrutura? Melhorou? Está muito distante da ideal?

Nossa infraestrutura não acompanhou o volume de produção e da economia brasileira; estamos ainda distantes do ideal. Porém, desde o ano passado, o Governo Federal priorizou as saídas e entradas pelo Arco Norte, pavimentando rodovias, melhorando a logística dos portos. As concessões das malhas ferroviárias, rodoviárias e hidroviárias certamente melhorarão muito a infraestrutura do país, dando condições ao escoamento da produção, recebimento de insumos, barateamento dos custos, gerando uma quantidade gigantesca de empregos e renda.

De forma geral, quais as outras grandes dificuldades enfrentadas?

A necessidade de uma rápida digitalização no campo; além da formação de técnicos, tecnólogos e engenheiros dispostos a sair dos grandes centros urbanos ou de cidades consideradas maiores.

O que há de melhor no nosso agronegócio?

O melhor que temos são a ciência, a pesquisa, a tecnologia, mas principalmente o produtor brasileiro, que é corajoso, valente, que opera uma gigantesca indústria a céu aberto, correndo todos os riscos climáticos possíveis. O maior exemplo é esse triste período de pandemia, em que o Agro não parou. Os supermercados estão abastecidos com alimentos de qualidade, sem faltar absolutamente nada.

Qual o nível da pesquisa nacional e o apoio que instituições e seus pesquisadores recebem da iniciativa privada e do setor público?

O Brasil dispõe de vários institutos de pesquisas agrárias, como o Instituto Agronômico, com mais de 130 anos, a Embrapa e muitos institutos privados, assim como empresas de defensivos, fertilizantes, sementes, máquinas agrícolas, enfim. O Brasil tem a melhor e maior tecnologia tropical do mundo. E esse contexto todo só é possível com gente altamente qualificada; aí entram os pesquisadores, bem presentes nos bastidores da pujança do Agro Brasileiro.

O Plano Safra 2020-2021 trouxe R$ 236 bilhões disponíveis para créditos, sendo R$ 179 bilhões para plantio e comercialização e R$ 57 bilhões para infraestrutura. O quanto a pandemia do coronavírus/covid 19 o moldou?

O Plano Safra 2020-2021 foi moldado visando prioritariamente o micro, pequeno e médio produtor rural. Como a vigência dele é de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2021, a pandemia do coronavírus/covid-19 não teve nenhum peso na sua elaboração e sim nas contas do Tesouro Nacional, uma vez que a subvenção impacta diretamente no caixa do governo federal.

O quanto evoluímos na proteção contra queimadas criminosas e no avanço correto em terras agricultáveis na Amazônia e outros locais de matas?

Foi criado o ‘Comitê Amazônia’, sob o comando do vice-presidente Hamilton Mourão, para enfrentar os criminosos daquela área que devem ser combatidos e desestimulados de explorar as riquezas minerais e também a biodiversidade da região. A agricultura na região é no máximo de subsistência das populações que lá vivem há séculos, é no máximo de 2% concentrado na Zona de Transição do Cerrado para a Amazônia.

O governo federal incentiva a manutenção das florestas e os plantios em lugares corretos? Há fiscalização suficiente?

Na Amazônia, a área de preservação obrigatória é de 80%; no Cerrado é de 35%. Nas outras regiões do Brasil é de 20%, índices totalmente suportados pelos proprietários das terras. Isso fora as Áreas de Preservações Permanentes (APPs), reserva legal, nascentes e matas ciliares. O produtor não recebe nenhum pagamento pelos serviços ambientais.

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