Partilhas de vida, num Caderno de Viagem
Eduardo Waack e José Roberto Garbim escreveram livro sobre viagem feita no início da década de 1980
Do acervo · publicada originalmente em 24 de junho de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 4 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Já está à disposição dos leitores o livro ‘Caderno de Viagem’, escrito por José Roberto Garbim e Eduardo Waack, com apresentação de Carlos Eduardo Rein (Teddy). O projeto gráfico, editoria e revisão são do Jornal ‘O Boêmio’. As traduções são de Tomás Rosa Bueno; a ilustração da capa, de Fabrício Lima; e a fotografia da página 2, de Rudi Bodanese. O apoio cultural é da Garbeer Cerveja Artesanal.
O livro começou a ser escrito em 2018. Está sendo vendido e distribuído. Porém, o lançamento oficial, reunindo amigos e familiares em Matão, acontecerá somente após encerrada a pandemia do coronavírus-Covid-19. A narrativa acontece em 1982, resultado da viagem de carona pelo Brasil, Paraguai e Argentina por dois adolescentes oriundos do interior paulista.
Após 38 anos, a viagem ganha vida novamente com a edição de ‘Caderno de Viagem’, que reúne prosa, poesia, fotografias e um mapa detalhando o percurso. Garbim e Waack oferecem um testemunho fiel daqueles dias loucos e inocentes. Por hora, a obra é disponibilizada para amigos e leitores. “Quiçá sirva de inspiração a novos viajantes”, deseja Waack.
A obra se inscreve na tradição dos grandes romances e relatos de viagem. “Desde tempos imemoráveis, diversos foram aqueles que eternizaram num relato as aventuras e descobertas que a estrada proporciona. O jovem Marco Polo – no livro ‘Viagens’ – narrou sua aventura pela Ásia entre 1276 e 1291”, destaca Waack.
“Charles Darwin nos trouxe ‘A Viagem do Beagle’. ‘Na Pior em Paris e Londres’ nos chegou por George Orwell; ‘A Estrada para Oxiana’ é de Robert Byron; ‘Terra dos Homens’, de Antoine de Saint-Exupéry; ‘De Carona com Buda’, de Will Ferguson; e o clássico ‘On The Road’, de Jack Kerouac. Estes são alguns exemplos. A Bíblia, de certa forma, é um livro de viagens, ao descrever os caminhos do povo judeu no Oriente Médio”, resenha Waack.
Para compreender a narrativa deste livro é preciso se situar em seu momento histórico: início da década de 1980. “A América Latina vivia sob o domínio do medo, com ditaduras sufocando as instituições e suprimindo as garantias individuais. Brasil, Argentina e Paraguai, apoiados pelos Estados Unidos, não eram exceções”, argumenta Garbim.
“Vivíamos ditaduras: no Paraguai, o general Alfredo Stroessner instaurou em 1954 um regime marcado pela brutal repressão popular. Em 1964, no Brasil, militares depuseram João Goulart, tomando o poder. Na Argentina, um feroz golpe em 1976 fez surgir um regime militar que causou a morte de milhares de pessoas e o desaparecimento de tantas outras. Era arriscado ser diferente e as pessoas tinham medo da própria sombra. A democracia só voltaria ao nosso país, em tese, em 1984”, sintetiza Waack.
“Os tempos eram outros. Não existiam computadores pessoais, internet, câmeras digitais nem telefones celulares. Muito menos GPS, Google Maps, redes sociais (Facebook, WhatsApp, Instagram). A telefonia fixa era limitada, as estradas precárias e o correio postal, embora lento, constituía-se no mais seguro modo de comunicação”, lembra Garbim.
Nesse contexto aconteceu a viagem descrita – elaborada a partir do diário de Garbim e ao qual foram agregadas as memórias e observações de Waack –, cujos personagens são dois adolescentes caipiras residentes no interior paulista, prestes a alistar-se no serviço militar obrigatório – do qual se safaram – e a enfrentar o concorrido mercado de trabalho num país eternamente em crise.
“Existe um provérbio português que diz: ‘O melhor da festa é esperar por ela’. Afirmo que esse provérbio está enganado. Após essa viagem – e tudo aconteceu nela – asseguro, sem sombra de dúvida, que o melhor da festa é a própria festa. O planejamento e o sonho foram bons, com certeza; sem o sonho ou sem o planejamento não teríamos conseguido”, considera Garbim.
“Mas as surpresas, os imprevistos e, acima de tudo, viver intensamente o que a vida nos proporciona, aproveitar cada minuto no momento em que ele acontece e nunca deixar de viver e aprender, aproveitando os instantes inusitados, os novos amigos, a vida e as oportunidades que ela nos dá, é algo inesquecível”, frisa.
E Waack completa: “Ali, naquele hiato entre a adolescência e a fase adulta, inspirados nos grandes mestres, demos asas à imaginação e sentimos, ainda que por poucas semanas, o gosto bom e contagiante da liberdade que o tempo não apaga e o coração acolhe e revigora”.
OS AUTORES
José Roberto Garbim é nascido em Matão, filho de João Garbim (Chiboca) e Maria José Ferreira Garbim. É casado com Ana Lelis há 33 anos, pais de Gabriel e Ana Clara. Formado em Análise de Sistemas, trabalha há 34 anos no Magazine Luiza, em Franca, onde reside. Atualmente é gerente de Tecnologia no LuizaLabs. Palmeirense, é fã de Simon & Garfunkel e Chico Buarque.
Eduardo Waack mudou-se para Matão no final de 1979, filho de Rosa Maria e Antonio Maria Waack de Almeida. É casado com Valéria há 32 anos, pais de Luan José, Dora Idioma e Daniel Amós. Avô de Gabriel, Samuel, Alice Marina e Gael. Escritor e jornalista, edita ‘O Boêmio’ (cultura popular independente e evolucionária) desde 1991. Palmeirense, é fã de Bob Dylan e Gilberto Gil.
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