Lives ganham espaço no mercado
Transmissões ao vivo se tornam estratégia de relacionamento e de negócios durante a pandemia
Do acervo · publicada originalmente em 2 de junho de 2020
Fonte: Mariluci Schiavetto
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Com a pandemia do coronavírus e as recomendações de distanciamento social, eventos com apresentações artísticas ao público foram duramente atingidos. O palco foi transferido para os aparelhos eletrônicos. Músicos de todos os estilos têm realizado transmissões digitais ao vivo em que apresentam seus repertórios, as chamadas ‘lives’ que acontecem cada vez mais nas redes sociais. Esses eventos têm obtido arrecadações para o combate ao coronavírus e proporcionado visibilidade a artistas e prestadores de serviços.
As transmissões mobilizam estrutura de filmagem com câmeras, microfones, iluminação, tecnólogos de informação, cenografia, publicidade. Os profissionais responsáveis por toda essa infraestrutura, mesmo trabalhando de forma voluntária, acabam criando visibilidade para as empresas. “Estamos vivendo um momento sem precedentes e as lives ajudam a movimentar o setor de eventos, que está totalmente estagnado. Através desse modo de transmissão, podemos chegar ao público. Além de proporcionar entretenimento, cedemos nosso trabalho como forma de beneficiar entidades e geramos alguma renda para os artistas, embora alguns cachês sejam simbólicos”, explica a produtora de eventos Silmara Lacerda.
O consumo não será igual ao que era antes deste período de quarentena. Certamente, haverá uma transformação no estilo de vida, o que vai se refletir na forma de consumir da maior parte das pessoas. As lives são um dos indicativos de que novos modos de consumo estão emergindo em meio à quarentena e para os artistas menores é uma maneira de se comunicar com o público de maneira mais direta e manterem sua visibilidade no mercado.
Fábio Tieni, da Banda Brimstone, ressalta a importância das lives principalmente para as bandas que estão começando e procurando seu espaço no mercado da música. “Para as bandas mais antigas, que já conquistaram espaço, é uma forma de continuar as atividades mostrando seu trabalho e entretendo o público que está em casa; ao mesmo tempo, ajuda – e muito – aos milhares de profissionais que vivem da música. Não está sendo fácil para essa galera e nem para os proprietários de bares e casas de shows. Todos estão sendo muito prejudicados. Através das lives, pode-se realizar shows, arrecadando cachê para os músicos, e o estabelecimento também pode fazer vendas e entregas online de seus produtos. É bom para ambos. E tem ainda o lado filantrópico de arrecadar doações para entidades”, diz Fábio.
Ainda é cedo para prever o que acontecerá com o formato das lives depois que passar a época de isolamento social. Diante da incerteza de como será o funcionamento dos bares, casas de shows e apresentações em festivais, as lives serão uma ótima alternativa para os artistas movimentarem economicamente o setor de eventos. “Acredito que, mesmo após o término dessa pandemia, há grandes chances das lives continuarem acontecendo, talvez em outro formato e com intensidade menor, porém nada é comparável à sensação da música apresentada ao vivo, num clube pequeno ou num festival”, revela Tieni.
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