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Negócios

Brasil tem 12,8 milhões de desempregados

Em Matão, primeiro quadrimestre acumula saldo negativo de 5.193 entre admissões e demissões, sobretudo devido ao final da safra da laranja

Do acervo · publicada originalmente em 12 de junho de 2020

Fonte: sites do IBGE e do Caged

· Leitura de 5 min

Foto: Acervo A Comarca

Brasil tem 12,8 milhões de desempregadosAcervo · 2020
Brasil tem 12,8 milhões de desempregados

A taxa de desocupação no Brasil passou de 11,2% para 12,6% no trimestre encerrado no último mês de abril, atingindo 12,8 milhões de desempregados. Com isso, são 898 mil pessoas a mais à procura de trabalho, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada no último dia 28 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Um indicador que reflete os efeitos da pandemia de Covid-19 no mercado de trabalho, a população ocupada, teve queda recorde de 5,2%, em relação ao trimestre encerrado no último mês de janeiro, representando uma perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, que foram reduzidos a 89,2 milhões.

A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, explica que os efeitos foram sentidos tanto entre os informais quanto entre trabalhadores com carteira assinada. “Dos 4,9 milhões de pessoas a menos na ocupação, 3,7 milhões foram de trabalhadores informais. O emprego com carteira assinada no setor privado teve uma queda recorde também. A gente chega em abril com o menor contingente de pessoas com carteira assinada, que é de 32,2 milhões”, explica Adriana.

Entre os informais, estão os profissionais sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores e por conta própria) ou sem remuneração (auxiliam em trabalhos para a família).

MENOS TRABALHADORES NO COMÉRCIO

A analista destaca também que a queda na população ocupada foi generalizada, atingindo sete dos dez grupos de atividades observados na pesquisa. Dos 4,9 milhões de pessoas que saíram da população ocupada, 1,2 milhão veio do comércio, 885 mil saíram da construção e 727 mil, dos serviços domésticos.

Foi a maior queda nos serviços domésticos desde o início da série, em 2012. De acordo com Adriana, a queda pode estar associada às medidas de isolamento social. “Várias famílias podem ter dispensados os seus trabalhadores domésticos em função dessa questão do isolamento. É uma queda bastante acentuada”, analisa. Com a queda recorde da população ocupada, a massa de rendimento real também teve a maior retração da série histórica. “É uma queda de 3,3%, o que significa que em um trimestre a massa de rendimento teve uma retração de R$ 7,3 bilhões”, comenta Adriana.

Por outro lado, o rendimento médio real recebido pelas pessoas ocupadas foi estimado em R$ 2.425,00 no trimestre encerrado em abril, sendo o maior da série histórica. “Esse aumento pode estar associado ao fato de que os trabalhadores informais, que ganham menos, formam o grupo que mais saiu da ocupação. Os que ficaram foram trabalhadores que relativamente têm salários maiores. Agora temos uma situação de menos trabalhadores informais e o rendimento médio acaba sendo calculado em cima de quem permaneceu no mercado de trabalho”, conclui.

CONTRATAÇÕES E DEMISSÕES

Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no último dia 27 mostram que a queda no número de contratações contribuiu de forma expressiva para o saldo negativo de empregos formais nos primeiros quatro meses do ano. Em abril do ano passado, o Caged teve saldo de +129.601 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 1.374.628 admissões e 1.245.071 demissões. No mesmo mês de 2020, as contratações ficaram em 598.596 e número de desligamentos chegou a 1.459.099, gerando um resultado de -860.503 empregos.

Enquanto as demissões tiveram um incremento de 17,2%, as admissões caíram 56,5% na comparação de abril de 2019 com o mesmo mês deste ano. Em valores nominais, São Paulo teve o pior desempenho, com -260.902. O Estado é seguido por Minas Gerais (-88.298), Rio de Janeiro (-83.626) e Rio Grande do Sul (-74.686).

De janeiro a abril de 2020, houve 4.999.981 admissões e 5.763.213 demissões no país, com resultado de -763.232. No primeiro quadrimestre de 2019, o Caged registrou 5.529.457 admissões e 5.215.622 demissões, com um saldo positivo de 313.835. Ou seja, as admissões caíram 9,6% e as demissões subiram 10,5% no intervalo de um ano. Na comparação mês a mês, o salário médio real de admissão no Brasil cresceu. Passou de R$ 1.496,92 em abril de 2019 para R$ 1.814,62 no mês passado.

Em Matão, os números do quadrimestre janeiro a abril são os seguintes: em janeiro, 787 admissões (A) e 922 demissões (D); em fevereiro, 731 (A) e 5.251 (D); em março, 880 (A) e 939 (D) e em abril, 355 (A) e 922 (D). A quantidade de demissões aumenta devido a sazonalidade agrícola do município, sobretudo a entressafra da laranja. No total, no primeiro quadrimestre de 2020, o saldo de admissões e demissões em Matão foi negativo de 5.193, sendo 2.753 admissões e 7.946 demissões.

MANUTENÇÃO DE EMPREGOS

Desde o último dia 1º de abril – data da edição pelo Governo Federal da Medida Provisória 936/2020, que criou o Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda – foram preservados mais de 8,1 milhões de empregos no país. O programa prevê que os trabalhadores que tiverem jornada reduzida ou contrato suspenso e ainda auxílio emergencial para trabalhadores intermitentes com contrato de trabalho formalizado receberão o Benefício Emergencial de Preservação da Renda e do Emprego (BEM).

MUDANÇAS

Esta é a primeira divulgação do Caged após o preenchimento de informações da base de dados passar para o Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Com a mudança, o cumprimento de 13 obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas fica centralizado em um só sistema e aumenta a qualidade da informação e há aperfeiçoamento do registro administrativo. Para saber mais acesse o Resumo Executivo – Divulgação das estatísticas mensais do emprego formal.

Uma inovação do Novo Caged é o agrupamento de setores da economia. Até dezembro passado, eram oito: Comércio, Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP), Extrativa Mineral, Administração Pública, Agropecuária, Construção Civil, Indústria de Transformação e Serviços. Agora, os dados estarão na mesma divisão feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São eles: Comércio, Serviços, Indústria Geral, Construção Civil e Agricultura. No intervalo de janeiro a abril de 2020, Agricultura teve saldo positivo de 10.032, resultado de 275.464 contratações e 265.432 demissões. O resultado da Construção Civil ficou negativo em -21.837. Comércio teve -342.748, Serviços -280.716 e Indústria -127.886.

MODERNIZAÇÃO TRABALHISTA

A modalidade de trabalho intermitente teve, no período de janeiro a abril desse ano, 49.228 admissões e 35.105 desligamentos em 2020, o que resultou em saldo de +14.123. Já o regime de trabalho parcial registrou 71.044 contratações e 63.334 desligamentos, com resultado de +7.710 vagas de trabalho com carteira assinada.

Somente no último mês de abril, o intermitente chegou ao saldo de -2.375: foram 7.291 admissões e 9.666 demissões. No mesmo período, houve 4.881 contratações e 14.029 desligamentos na modalidade de trabalho parcial, com saldo de -9.148.

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