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Saúde

Pandemia faz com que dentistas adotem mais procedimentos

Sem poder aproveitar os benefícios governamentais, profissionais buscam apoio

Do acervo · publicada originalmente em 16 de maio de 2020

Fonte: M.S

Foto: Acervo A Comarca

Pandemia faz com que dentistas adotem mais procedimentosAcervo · 2020
Pandemia faz com que dentistas adotem mais procedimentos

Os profissionais de Odontologia estão no topo de classificação de risco de contágio pela Covid-19. Expostos rotineiramente à saliva e ao sangue de seus clientes, eles estão entre os profissionais mais sujeitos a contrair o coronavírus – caso o paciente esteja contaminado. O cirurgião dentista normalmente já dispõe de equipamentos básicos para um procedimento preventivo padrão, que deve ser seguido para atender a todos os pacientes – independentemente de suspeita ou não de infecções.

O uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) já é procedimento padrão adotado na rotina dos atendimentos. Máscaras cirúrgicas, luvas descartáveis, jalecos, gorros, óculos de proteção e agora o protetor facial, entre outros, ajudam na proteção do profissional, dando certa tranquilidade para a realização dos atendimentos. Cuidados adicionais foram implantados nos consultórios, como higienização das maçanetas das portas, higienização mais constantes de banheiros, da sala de atendimento, disponibilidade de álcool gel, controle de agenda para evitar aglomeração nas salas de espera e, principalmente, manter o ambiente ventilado.

A recomendação atual é para que sejam priorizados os atendimentos de urgência e emergência. Segundo o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), casos de emergência odontológicas são situações que potencializam o risco de morte, por exemplo, o abscesso dentário (causado por infecção bacteriana). Já as urgências são situações que determinam prioridade no atendimento, mas não potencializam risco de morte, como cáries, traumatismos e inflamações.

“Aproximadamente 120 cirurgiões dentistas atuam em Matão, sendo que 62 são associados ao Núcleo da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD) Regional de Araraquara. Não temos informações precisas a respeito de quantos dentistas estão ou foram infectados, internados ou vieram a óbito, mas novamente ressaltamos que a classe está atenta aos cuidados necessários para uma correta prevenção e proteção da equipe e dos pacientes”, relata Geraldino Agostinho Ferreira, presidente da APCD-Matão.

Em meio à pandemia do coronavírus, os cirurgiões-dentistas ainda enfrentam outras dificuldades em seus consultórios. Materiais indispensáveis ao atendimento tiveram uma explosão nos preços, inviabilizando a compra imediata e exigindo muita pesquisa e negociação. Tendo em vista que a classe não dispõe de linhas de crédito e não se encaixa nos benefícios oferecidos pelo governo junto aos bancos credenciados, a alternativa encontrada pelos dentistas para amenizar a situação é fazer acordos com bancos privados e distribuidores.

“Somos uma classe formada por profissionais autônomos que, devido à natureza de nosso trabalho, não têm como praticar o ‘home office’, e ainda temos que arcar com toda carga tributária pela qual somos responsáveis. O diálogo com os agentes bancários tem sido a principal forma de contornar essa crise, e alguns acordos pontuais estão sendo realizados pelas Associações e pelo Conselho Regional de Odontologia com bancos privados e com distribuidores; porém, a falta de incentivo do Governo faz com que tenhamos a previsão de tempos difíceis pela frente”, perspectiva Geraldino.

“Nesse sentido, gostaríamos de uma atenção dos governos, diminuindo ou até mesmo isentando impostos e criando linhas de crédito com taxas especiais, por exemplo. A classe odontológica já passou por fases conturbadas e sempre se saiu muito bem. No atual cenário brasileiro, também temos uma importância na saúde geral das pessoas e também fazemos parte da linha de frente contra a Covid-19. Temos certeza de que mais uma vez, com confiança e muita fé em Deus, sairemos de mais essa!”, afirma Geraldino.

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