Pular para o conteúdo
Matão-SP · quarta-feira, 7 de outubro de 202626°Sol com nuvens19° / 29°Tempo agora em Matão: 26 graus, Sol com nuvens. Ver a previsão da semana.Ano 102Fundado em 1925Edição 5.361
A Comarca
Edição 5.3612 de outubroLer
Últimas
Uniara tem inscrições abertas para processo seletivo
Publicidade
Publicidade
Cidade

Mães no comércio: o exemplo que inspira

As histórias de mães cujos filhos dão continuidade a seus estabelecimentos no comércio

Do acervo · publicada originalmente em 12 de maio de 2020

Fonte: Eliana Saraiva, postado por Igor Oliveira

· Leitura de 11 min

Foto: Acervo A Comarca

Mães no comércio: o exemplo que inspiraAcervo · 2020
Mães no comércio: o exemplo que inspira

Dados do Sebrae apontam que as empresas formadas por membros de uma mesma família predominam no cenário econômico. E muitos destes estabelecimentos reúnem mães empreendedoras, cujos filhos dão continuidade aos segmentos estabelecidos anteriormente por suas famílias. Normalmente se aprende a empreender no exemplo da família – e muitas vezes por intermédio de mães empreendedoras, pois os filhos se espelham em suas atitudes, conceitos e mentalidade empresarial. Nesta edição especial ao Dia das Mães, A Comarca traz o perfil de algumas famílias empreendedoras (Rodolpho Guandalini, Kfouri, Fragali e Cavichia Geraldo), dentre muitas outras, cujos filhos e netos seguiram o exemplo de suas mães e avós. Conheça suas histórias.

MARIBEL MODA ÍNTIMA

Maria Isabel Rodolpho (68 anos) percorreu uma trajetória de luta. É casada com Adamo Luiz Guandalini (65), com quem teve seis filhos. Isabel, a mais velha, hoje frente à Maribel Moda Íntima, se manteve ao lado da mãe para cuidar dos negócios. “Minha mãe sempre trabalhou muito; uma mulher guerreira e batalhadora. Mesmo com seis filhos, se dedicou extremamente às vendas, que fazia de porta em porta até abrir sua primeira loja na década de 1980 com o nome de ‘Casa de Noivas’. Na ocasião, ela própria fabricava as roupas neste segmento.

Isabel destaca que seu pai, Adamo, também sempre atuou como comerciante. “Ele foi exímio vendedor. Por seu intermédio, a Casa Ferro se instalou em Matão. Na década de 1990, meus pais se separaram e ele foi trabalhar no setor metalúrgico. Nesse mesmo período, minha mãe arrendou sua loja de vestidos de noivas para uma pessoa que atuava no ramo de lingerie, que passou a denominá-la ‘Tavares Moda Intima’. Isso se deu até 1993 e em 1994, minha mãe comprou essa loja, dando-lhe o nome de Maribel Moda Intima”, conta ‘Bel’, como é carinhosamente chamada por todos.

Ela menciona que quase todos os integrantes da família Rodolpho Guandalini atuam no comércio: “Tenho duas irmãs que residem em Monte Alto e a caçula em Taquaritinga. As três trabalham com o mesmo segmento de lingerie. Meu irmão tem um lava-rápido em Matão. Meu esposo, Paulo Bocchio, trabalhava no caixa da cooperativa de crédito Credicitrus e, em 2005, ingressou na sociedade da Maribel Moda Íntima”.

Em 2013, dona Maria Isabel se desligou da empresa para se dedicar aos cuidados dos netos e de sua mãe, a senhora Nair Irano Rodolpho (90 anos), e também ao voluntariado na Igreja Congregação Cristã do Brasil. O propósito empreendedor desta família se desdobra para novas gerações. Isabel e Paulo são pais de Paolo Gabriel Guandalini Bocchio (25 anos), casado com Mayra Suzan Rodrigues (ambos proprietários da loja Mayra Modas), e de Isabelle Guandalini Bocchio (21), casada com Diego Senajotto (atuantes no segmento moveleiro).

SEGUIR EM FRENTE

Isabel frisa que “a segurança e a saúde dos colaboradores, nestes tempos de pandemia da Covid-19, devem ser as prioridades dos empreendedores. Neste cenário, as empresas também precisam visar a comunicação junto ao público-alvo, aprendendo a conviver com a tecnologia das redes sociais e as novas formas de comercializar, como as vendas online. Contamos com seis colaboradoras prontas para retomar o atendimento ao público, quando assim for determinado. Neste momento atuamos com entregas em domicílio. Seguimos em frente, usando da criatividade para manter o pensamento estratégico com otimismo e adaptação à nova realidade econômica”.

FAMÍLIA KFOURI

O libanês Victor José Kfouri e Ilda Chuahy Kfouri (filha de sírios) se conhecerem numa viagem de trem pelo interior paulista. Após algum tempo de namoro, se casaram em Piracicaba, em 1955 – mesmo ano em que se mudaram para Matão. Aos 18 anos, Ilda iniciou sua trajetória comercial trabalhando com Victor (e os cunhados Miguel e Jubran) numa loja de tecidos e confecções. Em 1963, o estabelecimento foi denominado como Casa Guarani, e funcionava na esquina da Rua João Pessoa com a Avenida XV de Novembro. Em 1988, a loja foi fechada e parte do prédio foi cedida para abrigar a Chaluça Moda Masculina, ativa até hoje na Rua Joao Pessoa, administrada a partir de 2013 pela neta Vanessa Kfouri da Costa Bicalho. A Chaluça (expressão síria que representa uma pessoa cheia de vida, esperta, alegre) surgiu como continuidade da Casa Guarani, tendo Ilda e seu filho Silvio como sócios, mas direcionada à moda masculina.

Victor e Ilda tiveram três filhos: Eduardo Vitor, Silvio Vitor e Silvia Maria. Eduardo cursou engenharia civil, mas seguiu na área de engenharia de transportes em Araraquara e, atualmente, em Campinas. Silvio formou-se em engenharia civil, trabalhando na área até 2003. Também advogado e corretor de imóveis, trabalhou com direito integrado à Chaluça Imobiliária. Inaugurou a Tour Marina em setembro de 1990 e, desde então, se dedica exclusivamente ao setor de turismo. Já Silvia se formou em fisioterapia e empreendeu no segmento de atividades físicas. Ela é a responsável pela Academia Silvia Kfouri, em atividade até hoje.

Silvia diz que praticamente nasceu dentro da Casa Guarani. Ela recorda que “adorava brincar de loja em meio aos tecidos e aviamentos”. Após se formar em fisioterapia, se dedicou a atendimentos em clínica juntamente com ginástica corretiva por 10 anos. “Como a ginástica corretiva apresentando ótimos resultados, vislumbrei a oportunidade de empreender e acrescentar aparelhos de academia. Nessa época, a sala da nossa casa se transformou num mini estúdio. Vimos a academia crescer até precisar de um espaço maior e, em outubro de 2003, inauguramos a Academia Silvia Kfouri no local onde está instalada até hoje”, explica.

Vanessa seguiu os passos da avó Ilda e da mãe Silvia. “Posso dizer que nasci nesse meio, pois cresci dentro da loja A Feminina, que minha família teve na Avenida 15 de Novembro. Esta rotina já desenvolveu em mim um gosto pelo comércio. Aprendi muito observando meus pais e minha avó. Assumir a Chaluça foi muito natural. Assim como minha avó, pretendo ficar com a Chaluça por muitos anos e depois torcer para que continue com a família. Também estou à frente do ateliê Vanessa Kfouri Papel e Arte, aonde posso exercer a Papelaria Personalizada. O gosto pelo comércio corre em meu sangue e posso me considerar uma pessoa feliz e realizada”, frisa a jovem.

Ilda Kfouri conta um fato, talvez até mesmo uma curiosidade, que lhe marcou. “Quando fomos inaugurar a Chaluça Moda Masculina, em 1988, não tínhamos capital para iniciar as atividades com a loja em estoque pleno. Assim, tivemos a ideia de preencher os nichos com caixas de camisa vazias que serviram de decoração e davam à loja uma apresentação de plenitude no estoque. Dessa forma, quem entrava ‘notava’ uma loja completa, mas, na verdade, 50% do visual estava preenchido com caixas de camisa vazias. Hoje a realidade é outra. Nosso objetivo é trazer marcas diferenciadas e de qualidade para melhor atender nosso público-alvo”, relata.

COMO SE SUPERAR?

Silvio Kfouri salienta que a agência Tour Marina, assim como em qualquer ramo de atividade, está sempre se atualizando de acordo com a evolução dos negócios. “A internet criou inúmeros mecanismos de aproximação do produto com o consumidor. A utilização do Whatsapp também permite que a comunicação com o cliente aconteça de forma muito mais rápida. A maneira de fazer o marketing também se modificou, exigindo um diferencial em como apresentar a agência ao cliente. Na verdade, não existe mágica; precisamos aliar as novidades tecnológicas ao conhecimento do produto e o pronto atendimento”, cita Silvio.

A família Kfouri sempre foi otimista em suas diferentes frentes de empreendedorismo. “Acreditamos que essa premissa nos faz resistir às intempéries que invariavelmente ocorreram. Sempre surgirão surpresas indesejáveis durante a existência do seu negócio; é preciso administrar isso para poder seguir o caminho. Atualmente, vivemos uma fase muito delicada com a Covid-19; além da gravíssima situação da saúde, temos a questão da crise econômica. Todos os setores foram atingidos. Isso exigirá esforços incríveis para a retomada. Com certeza, dias melhores virão”, acreditam os irmãos Kfouri.

LOJAS GENIAL

José Antônio Fragali e Elza Mancini Fragali são proprietários da Genial Perfumaria, Genial Presentes e Genial Mix, responsáveis por 17 empregos diretos na cidade. Elzinha, como é carinhosamente conhecida pelos amigos, trabalhava no Banco Comind em Matão, enquanto José Fragali atuava no Banespa em São Paulo. Quando se casaram, Elza solicitou a transferência de suas atividades para a capital paulista; mas quando Ângela Priscila nasceu, em 1980, o casal decidiu retornar para Matão. “Meu pai logo obteve a transferência, mas minha mãe, quando voltou da licença maternidade, não conseguiu; então decidiu se desligar das atividades bancárias”, conta Ângela.

Em abril de 1982 surgia a Genial, voltada aos setores de perfumaria, presentes e variedades. Atualmente é destinada exclusivamente ao ramo de perfumaria. Em 1985 nascia a segunda filha do casal, Eloisa Maria, no mesmo ano em que era inaugurada a Genial Moda Íntima – hoje denominada Genial Mix, face a diversidade de produtos. E nos anos 2000 surgia a Genial Presentes. Ainda na década de 1980, o casal também foi proprietário de uma franquia de O Boticário. Já em 2000, Fragali se desligou do Banespa, passando a se dedicar exclusivamente às lojas Genial.

Durante sua trajetória no comércio matonense, Elzinha destaca alguns fatos que a marcaram, como as participações na Facima (Feira Agro Comercial e Industrial de Matão), bem como o pioneirismo em trabalhar com franquia na cidade – como no caso de O Boticário. “Durante essas quase quatro décadas, passamos por diversas trocas de governo e de moeda, substituição do trabalho manual pela informatização e tantas outras adaptações em razão da tecnologia. Todas as iniciativas tiveram um único propósito: a qualidade no atendimento ao público”, destaca.

Ângela é graduada em Biologia, entretanto, optou por seguir o caminho dos negócios no comércio. Comanda a Genial Mix desde 2005 e há três anos assumiu o Departamento de Compras das três lojas, bem como se tornou responsável por participações em feiras de negócios. Ângela é casada com Alexandre, profissional atuante no setor de metalurgia. Eloisa não seguiu os passos da mãe, mas está muito bem colocada no mercado de trabalho. Graduada em secretariado trilingue, atua numa multinacional farmacêutica.

READAPTAÇÃO

Em meio à crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, Ângela aponta alternativas. “Acredito que uma boa equipe faz toda a diferença. Os benefícios da tecnologia e das redes sociais são indicadores de que o fomento aos negócios é possível e, desta forma, a Genial chegue aos clientes, bem como àqueles que ainda não são fidelizados. Digo ainda que, neste momento atual, nos reinventamos de maneira que nosso produto chegue ao cliente via delivery. O comércio é sempre um grande desafio, mas estamos firmes no propósito de bem atender aos clientes”, conclui.

JÔ PÉ E TAZU CALÇADOS

Em 1966, Matão contava com a Funerária Nossa Senhora Aparecida, de propriedade de Ernesto Victorio Geraldo e Carlos Francisco Cavicchia. Como ambos trabalhavam em outras empresas (Usina Santa Luiza e Bambozzi, respectivamente), quem administrava a funerária eram Victoria Alegrancci Cavicchia e Iracema Cavicchia Geraldo (esposa de Ernesto), que não mediam esforços para cuidar de todos os detalhes de um funeral. Com o passar dos anos, Ernesto se desligou da usina e assumiu os negócios.

Iracema e Ernesto tiveram as filhas Zuleica, Tania, Marcia e Joelma. Mesmo com todas as tarefas domésticas e criação das quatro mulheres, Iracema decidiu investir com seu irmão Carlos Francisco na criação da Floricultura Joelma, que inicialmente atendia as necessidades da funerária. Após 15 anos, o comércio familiar ficou centrado no segmento das flores e Iracema passou a trabalhar com arranjos para casamentos e eventos, bem como ornamentação de paroquias. Nesse período, Ernesto abriu o bar Taco de Ouro, estabelecimento com jogos de sinuca, que funcionou por dois anos.

Em 1985 surgiu a Zutamar Confecções, que ocupou espaço no comércio matonense por mais de 20 anos. “Eu, a Tania e a Marcia ajudávamos nossos pais na loja, mas eu trabalhava no Unibanco e a Tania era secretária administrativa na Cemibra. Saímos desses empregos e passamos a nos dedicar totalmente à loja”, menciona Zuleica. Em 1996, ela e Tania abriram a Jô Pé Calçados. “Marcia e Joelma assumiram a Zutamar e eu e Tania ficamos no ramo de calçados. Depois percebemos necessidade de focarmos num único negócio e décimos ficar todas juntas com a loja de calçados. Anos mais tarde lançamos a Commoditá, loja especializada na linha confort para os pés, que permaneceu no mercado por cinco anos. Em 2016, ampliamos a loja e mudamos o nome para Tazu Calçados. Nesse período, meu filho Gustavo ingressou na sociedade”, explica Zuleica.

Nesse contexto é possível dizer que praticamente todos da família seguiram o exemplo dos pais: Zuleica, Tania, Marcia e Joelma (filhas de Iracema e Ernesto), Gustavo (filho de Zuleica), Vitoria e Virginia (filhas de Tania) e Vinicius (filho de Joelma). Filhas e netos de Iracema herdaram a veia empreendedora e se firmaram como comerciantes – atualmente no setor calçadista, cujas lojas respondem pela geração de 28 empregos diretos no município. De acordo com Tania, a história de vida da família é uma forte inspiração. “Temos como legado de minha mãe sermos muito batalhadoras, somos persistentes. Empreendemos em diferentes segmentos, sempre com muita determinação. Acreditamos que o exemplo de minha mãe nos tornou fortes e empenhadas” enfatiza.

FÉ E ESPERANÇA

“É sabido que o mundo vive um cenário de crise devido à pandemia da Covid-19 e os impactos econômicos são sentidos em todos os segmentos. Mas temos muita fé e esperança. Acreditamos que a Lei Divina tem um propósito para todos e, mais do que nunca, é preciso ter calma e foco naquilo que escolhemos como profissão, para que o equilíbrio prevaleça. Temos fé e perseverança para que possamos superar momentos difíceis. Somente com determinação e confiança de que o momento de crise passará, poderemos manter esse espírito empreendedor. É preciso confiar no proposito divino! É preciso união para que todos juntos possamos buscar as readaptações necessárias, sem jamais perder a fé!”, finalizam.

Galeria de fotos3 fotos

Ver todas em tela cheia
Mães no comércio: o exemplo que inspira — foto 1 de 3
  • Mães no comércio: o exemplo que inspira — foto 2 de 3
  • Mães no comércio: o exemplo que inspira — foto 3 de 3
Publicidade
Publicidade

Comentários

Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.

Leia também

Publicidade