Mortes por coronavírus crescem 136% no interior e litoral de SP
Cidades fora da Grande São Paulo já têm 142 vítimas fatais; pesquisadores reforçam que ainda não é o momento de relaxar as medidas de isolamento social
Do acervo · publicada originalmente em 20 de abril de 2020
Fonte: Da Redação / Com informações ACidadeON
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020O número de óbitos pelo novo coronavírus no interior e litoral do Estado mais que dobrou na última semana. Balanço da Secretaria de Estado da Saúde aponta crescimento de 136% em comparação ao último sábado (11). São 142 mortes registradas hoje contra 60 no dia 7 de abril.
Já são 61 cidades fora da Região Metropolitana de São Paulo com registro de pelo menos uma morte pela doença, 24 municípios a mais do que uma semana atrás.
As quatro regionais de saúde que concentram o maior número de óbitos fora da Grande São Paulo são: Campinas (30), Baixada Santistas (29), Bauru (14) e Ribeirão Preto (11).
Este é o primeiro aumento expressivo fora da Região Metropolitana, que ainda concentra 85% dos óbitos (849 do total de hoje). Porém, esse percentual caiu desde sábado passado, quando era de 89% (500 mortes de um total de 560).
“O avanço da mortalidade pela doença em cidades fora da região metropolitana reforça a importância da adesão à quarentena por todos os moradores do interior e litoral de SP”, afirma o Secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann.
Estudo prevê pandemia mais forte no interior em três semanas
Uma pesquisa sobre a disseminação do novo coronavírus feita por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostra que os casos da covid-19 no interior paulista estão três semanas atrás dos números registrados na capital e em regiões metropolitanas. A conclusão é de que isso ocorre graças ao isolamento feito na capital e serve de indicação de que ainda não é o momento de relaxar a quarentena.
"Graças ao isolamento feito em São Paulo, as cidades do interior estão três semanas atrás no número de casos. Então não é hora de relaxar a quarentena", diz o professor Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu e integrante do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.
Ele explica que cidades maiores têm uma maior responsabilidade, que é proteger as cidades pequenas da disseminação da covid-19. "Municípios como Bauru, Araraquara, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, entre outras, são importantes para deter o avanço do vírus", afirma o professor.
Fortaleza ressalta ainda que o oeste paulista tem o maior número de idosos do estado. "Essa é justamente a população mais frágil, mais suscetível, e a região está afastada dos grandes centros", alerta.
Segundo o professor titular Raul Borges Guimarães, do departamento de Geografia da Unesp em Presidente Prudente, se por um lado a capital concentra mais da metade dos casos da covid-19 no Estado, por outro o interior enfrenta outro tipo de problema: menos acesso a hospitais e equipamentos.
"Quem mora em uma cidade com zero casos e se desloca para um município maior para trabalhar, estudar ou fazer compras está ajudando a disseminar o vírus em sua cidade. Os municípios menores estão longe dos hospitais, com menos acesso a equipamentos", destacou. "As medidas tomadas até o momento mostram que o isolamento social está funcionando, está conseguindo frear o processo", completa o professor.
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