Fecomércio reivindica mais medidas devido a prorrogação da quarentena
Entidade pede atuação mais efetiva por parte do Governo do Estado
Do acervo · publicada originalmente em 14 de abril de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Na segunda-feira (6), o governador João Doria anunciou a prorrogação da quarentena por mais 15 dias (até o próximo dia 22). Assim, as pessoas – exceto as que estão isentas desta medida – devem continuar em casa para evitar a contaminação. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) segue acompanhando os desdobramentos que a pandemia do coronavírus (Covid-19) provoca em diversos setores da sociedade, em especial de comércio e serviços.
“A Fecomércio nos representa enquanto Sindicato do Comércio Varejista. Todas as unidades deste sindicato no Estado de São Paulo seguem as orientações da entidade, que compreende e aceita a prorrogação da quarentena. Contudo, cobra maior profundidade e velocidade das ações já anunciadas para a manutenção das empresas e dos empregos, bem como um plano de retomada da economia”, cita Antonio Geraldo Giannini (Toninho), presidente do Sincomércio-Matão.
De acordo com levantamento da Fecomércio, a movimentação do comércio varejista dos setores afetados pelo decreto para um mês de abril considerado comum é de cerca de R$ 35 bilhões, com empregabilidade de 1,3 milhão de trabalhadores formais. Assim, a liberação de R$ 650 milhões em crédito mencionada pelo Governo de São Paulo por meio do Banco do Povo e do Desenvolve-SP não cobre nem uma média diária de faturamento do comércio que está de portas fechadas no Estado.
“Além disso, embora o governo paulista tenha atendido parte do pedido da Fecomércio pela suspensão do recolhimento do ICMS nesse período, a medida poderia ser prorrogada por seis meses – ao invés de três – e ampliada a todos os tipos de empresa”, considera Toninho.
EMPRESARIADO
Com a prorrogação da quarentena, a Fecomércio recomenda adaptar-se rapidamente às vendas online, por aplicativos e deliveries. Além disso é preciso fazer promoções para chamar a atenção do consumidor e disponibilizar os pagamentos por meio online para que não haja a necessidade de contato físico com a maquininha de cartão.
“É o momento de fazer as contas dos custos fixos para saber se haverá dinheiro em caixa durante esse período de crise e renegociar contratos, aluguéis, pedir aos fornecedores para que estendam os prazos. Algumas instituições financeiras já liberaram a opção de suspensão de parcelas de financiamentos a vencer nos próximos 90 dias”, comenta o presidente do Sincomércio-Matão.
“Além disso, os Governos Federal e Estadual disponibilizam algumas linhas de crédito com juros mais baixos por meio da Caixa Econômica Federal, Desenvolve-SP, Banco do Povo e BNDES. Um crédito adquirido e bem planejado é melhor do que deixar de pagar os compromissos, tornar-se inadimplente e ter que correr atrás de juros maiores”, resume Toninho.
A Fecomércio recomenda planejamento e cautela para desligamentos de colaboradores neste momento, pois, ao fim da quarentena, o comerciante precisará dos funcionários e os custos com demissões, novas contratações e treinamentos serão altos. A melhor opção é analisar as alternativas descritas nas MPs 927 e 936, como férias coletivas, compensação de horas, antecipação de feriados, entre outras.
“Sabemos que o momento é muito preocupante e que nossos comerciantes e prestadores de serviços querem abrir suas portas o quanto antes. Contudo, não podemos autorizá-los, nem encorajá-los a tomar essa decisão, pois poderão ser punidos com restrições e multas. Daí, o que está ruim ficará pior. Vamos fazer o possível para cumprir este prazo e torcer para que não enfrentemos problemas referentes ao atendimento de pessoas contaminadas”, sintetiza Toninho.
Confira o que pode abrir e o que não pode
Por determinação do Governo do Estado de São Paulo, a quarentena continua até o próximo dia 22 por conta da pandemia do coronavírus (Covid-19). As determinações foram comunicadas na segunda-feira (6) e começaram a vigorar na quarta-feira (8), após publicação no Diário Oficial.
Desta forma, confira os estabelecimentos e serviços que podem continuar funcionando durante este período: hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas; transporte público; transportadoras e armazéns; empresas de telemarketing; petshops; deliverys; supermercados, mercados e padarias; limpeza pública; e postos de combustíveis.
Agora, os locais que deverão seguir fechados: bares; restaurantes; cafés; casas noturnas; shopping centers e galerias; academias e centros de ginástica; espaços para festas, casamentos, shows e eventos; escolas públicas ou privadas. Lembrando que bares, cafés e restaurantes podem manter o funcionamento em sistema de delivery e/ou drive thru.
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