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Artigo - Alex Antoniosi: Saúde a todos!

ALEX ANTONIOSI

Do acervo · publicada originalmente em 22 de abril de 2020

Fonte: Da Redação

· Leitura de 4 min

Foto: Acervo A Comarca

Artigo - Alex Antoniosi: Saúde a todos!Acervo · 2020
Artigo - Alex Antoniosi: Saúde a todos!

Os efeitos da pandemia do coronavírus deram a volta ao mundo e chegaram ao nosso município. O atual momento vivido, sem precedentes para nossa geração, deixa a todos sem qualquer experiência em lidar com a difícil situação. E agora, o que fazer? Os dilemas que nos afligem dia após dia são enormes e os mais diferentes possíveis: nossa saúde, nossa família, nossos amigos, nossos idosos, nossas crianças, nosso trabalho, nossa renda, nossa segurança, enfim, tudo aquilo o que nos cerca.

Infelizmente, não temos atendimento e leitos hospitalares em quantidade suficiente para quem precisar. Aí começa o nosso grande problema. Dado a isso, a grande preocupação dos profissionais da área médica. Seria possível ter atendimento para todos se gerações de governantes investissem o dinheiro do contribuinte de forma honesta e corretamente onde se deveria: saúde, saneamento e educação. O Brasil possui em média dois leitos hospitalares para cada mil habitantes, enquanto a Alemanha possui oito leitos para cada mil habitantes. Aí está um dos grandes motivos pelo qual a Alemanha refletiu a menor taxa de mortalidade da pandemia na Europa.

É provado na história da humanidade que quando uma geração passa por grandes guerras, por uma grande crise ou, como no nosso caso, por uma pandemia, o normal muda de lugar. A população forçadamente mudará hábitos, pensamentos e atitudes que farão com que o normal passe a ser o que viveremos de agora em diante. Imaginem as crianças que vivem este momento de distanciamento social. Como serão estes adultos no futuro?

Então, a primeira atitude é aceitar que nosso normal será diferente e se adaptar a nova realidade. À medida em que se alongam quarentenas e as ações de contenção da transmissão comunitária, pioramos ainda mais as condições econômicas das pessoas, justamente de onde vem o seu sustento. Enquanto não tivermos algo efetivo contra o vírus, como uma vacina, teremos que nos acostumar a visitar nossos pais e avós de máscara e mãos higienizadas. A quarentena passa a ser automática a qualquer pessoa com apenas uma gripe comum.

Nossa saúde, sem sombra de dúvidas, vale mais do que nossa economia. Mas o que é necessário para se ter saúde? É necessário ter trabalho, para se ter alimento, casa, educação etc. A humanidade nunca se recolheu para se proteger, sempre foi à luta. É fato que o homem das cavernas ia à caça em busca de alimento. Hoje, vamos ao trabalho. Sem o trabalho, a roda da economia não gira. Na atual situação, não temos mais opção. Devemos proteger os grupos de risco e os demais. Vamos ao trabalho. Caso contrário, o desemprego, a pobreza, a fome, afetarão centenas de milhões de pessoas pelo mundo todo.

As quarentenas e o isolamento social se fizeram necessários para o achatamento da curva de contaminação. Porém, este achatamento prolonga o tempo de exposição, ou seja, conviveremos muito tempo com o vírus em nossa sombra. Não temos como ficar sem trabalhar e produzir. Vamos ter que vestir máscaras e voltar ao trabalho. Medidas foram tomadas para salvar a economia, mas não têm eficiência onde precisam ter. Há bancos cortando crédito e subindo juros.

Vale lembrar que esse ano de 2020 sinalizava o primeiro ano bom de cinco anos anteriores ruins para nossa economia; porém, o coronavírus acabou com todas as possibilidades. Vejam o efeito devastador no mercado já causado pela pandemia em março deste ano, considerando que todos os índices são de redução: materiais de construção (-11%); combustíveis (-35%); lojas de departamentos: (-54%); bares e restaurantes (-60%); turismo (-80%); estacionamentos (-85%); vestuário (-90%); produção industrial (-45%). O índice positivo é o da taxa de desemprego: 14,7% e subindo.

Já podemos considerar que os números de abril serão ainda piores. E 90% das empresas nacionais não possuem mais do que 30 dias de fluxo de caixa para ficarem abertas, sem produzir e faturar, ou seja, quebra de contratos e endividamentos ocorrem em massa, pois a projeção de queda no PIB já beira 5% e se concretiza, significando a maior recessão vivida na história da economia brasileira.

Serão tempos de sobrevivência e superação; nossa geração será obrigada a se reinventar com grandes ressalvas, pois as dificuldades enfrentadas hoje ditarão a reação da economia. Muitos economistas acreditam que o consumidor nunca mais será o mesmo; as prioridades mudarão consideravelmente. É provável que a visão de consumo da grande maioria fique restrita somente ao essencial por muito tempo, o que infelizmente não é suficiente para girar a roda da economia no atual modelo, como num pós guerra. Consumir por consumir sai de moda; os desperdícios não serão tolerados.

Para uma maioria economizar, para que tenhamos alguma segurança, nossa sinergia com a comunidade se transformará em algo fundamental. Cada vez mais teremos que compreender que nossa casa é aquilo que está a nossa volta. O atual momento será de ceder, de se reinventar para poder seguir. Não esperem que alguém faça isso por você; faça acontecer. Saúde a todos!

Alex Antoniosi é diretor titular da Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Matão) e diretor de Operações da ATA-Antoniosi

Vale lembrar que esse ano de 2020 sinalizava o primeiro ano bom de cinco anos anteriores ruins para nossa economia

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