Artigo - A gestão das empresas em tempos da Covid-19
MOACIR BERTACI
Do acervo · publicada originalmente em 2 de abril de 2020
Fonte: MOACIR BERTACI
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020As empresas vivem em um ambiente de negócios muito competitivo, que exige decisões financeiras assertivas e planejadas. Em alguns momentos, como este em que o país e o mundo passam, o ambiente de negócios, além de competitivo, torna-se também turbulento. Nesta crise, talvez a maior desde 1929, a turbulência tornou-se tempestuosa e devastadora para as finanças empresariais.
Os fundamentos da administração científica, apresentados pelos grandes teóricos que transformaram o modo de gestão das empresas, como Taylor, Fayol, Drucker, entre outros, mais do que nunca precisam ser implementados nas empresas para que consigam suplantar essa crise epidemiológica – para que ela não se torne uma crise econômico/financeira devastadora para os negócios empresariais e termine em bancarrota.
Então, o planejamento, a organização, a direção e o controle (Drucker, 1964), que sempre foram obrigatórios para a gestão das empresas, tornaram-se ações cruciais para sobreviverem à crise. No Brasil, o cenário político e econômico já sofre oscilações constantemente; com isso aliado ao momento presente, com a crise do coronavírus, além das ações expostas, as políticas monetárias anunciadas pelos governos – tanto federal quanto estadual – são imprescindíveis à sobrevivência dos negócios.
Em períodos normais de negócios há necessidade de otimizar a gestão do caixa diariamente, para que as receitas sejam suficientes para cobrir as despesas, para que se consiga pagar os fornecedores, os salários e encargos, os tributos, as despesas operacionais, as despesas comerciais, as despesas financeiras, entre outras.
A harmonia na gestão das receitas e das despesas traz a maximização dos resultados, que são a lucratividade, a rentabilidade e a liquidez. Todavia neste momento em que os negócios estão fechados, principalmente os comerciais e de prestação de serviços, as empresas são impossibilitadas de equacionar as despesas com as receitas minguadas, principalmente as micro, pequenas e médias empresas. Neste momento, não há como custear as atividades operacionais com os recursos próprios, chamados de capital de funcionamento, o que obriga essas empresas a buscar recursos de terceiros, chamados de capital de financiamento.
O pacote de medidas de 2,03% do PIB, anunciado pelo Governo Federal para amenizar os efeitos dessa crise epidemiológica causada pela Covid-19, é um alento às finanças empresariais, embora ainda necessitem de outros incentivos e mais ajuda. Segundo o Governo, serão beneficiadas 12,2 milhões de pessoas e 1,4 milhão de empresas. O custo da nova linha de crédito será o da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 3,75% ao ano, e o prazo para pagamento do financiamento será de 36 meses, a um custo para o Governo de R$ 20 bilhões por mês.
Contudo, ainda há que se esclarecer como serão disponibilizados os recursos dessa linha emergencial e quando ela será aberta, pois as empresas serão submetidas a análise de crédito das instituições financeiras e isso irá afastar esse auxílio de uma quantidade enorme de empresas que atualmente buscam alternativas, como os FDICs, e das empresas de factoring, devido às restrições junto aos bancos comerciais.
Então, esclarecidas essas informações, faz-se necessário a implementação de uma gestão de crise nestes tempos difíceis, com a renegociação das dívidas e planejamento da continuidade dos negócios, pois somente assim as empresas poderão sobreviver.
Moacir José Bertaci é administrador, economista, contabilista, mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, professor da Faculdade Anhanguera de Matão e assessor especial da Secretaria Municipal da Fazenda.
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