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Negócios

Comércio sente o impacto da pandemia

Fernando Mendes e Edson Beraldo comentam a situação e defendem medidas de apoio aos lojistas

Do acervo · publicada originalmente em 27 de março de 2020

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 6 min

Foto: Acervo A Comarca

Comércio sente o impacto da pandemiaAcervo · 2020
Comércio sente o impacto da pandemia

O primeiro caso de coronavírus foi oficialmente identificado na cidade chinesa de Wuhan, no dia 1º de dezembro de 2019. Hoje presente em praticamente todos os países, o vírus causa desgraças humana e econômica a todos, atingindo diretamente a saúde de 500 mil pessoas. Ainda crescente, a pandemia assusta, causará muito mais mortes do que as 22 mil atuais e prejuízos financeiros para empresas de diferentes segmentos, podendo provocar até falências, dependendo a extensão do período de paralisação das variadas atividades.

Em Matão, o quadro não deverá ser diferente. Por quanto tempo de paralisação nossas diferentes empresas aguentarão? O que fazer para incentivar? Qual o cenário atual? Quais as expectativas? O que virá adiante? E agora, José? A Comarca coletou depoimentos de Fernando Mendes, presidente da Associação Comercial e Empresarial (ACE-Matão), e de Edson Beraldo, sócio-proprietário das duas unidades da Beraldo Perfumaria que empregam atualmente 45 colaboradores de forma direta.

“A situação é grave. Sabemos o quanto o vírus é contagioso e deve ser combatido. Sem dúvida, há necessidade de isolamento social; porém, vale lembrar o que isso acarretará, pois, sem poder abrir suas lojas, empresários se encontrarão em situação de alto risco. Com baixo faturamento, sem movimentação de clientes, a capacidade de manter seu quadro de funcionários, e até mesmo suas empresas, estará fragilizada.

Já vivemos um momento difícil, com um histórico de recessão, que poderá ficar ainda pior. É grande a possibilidade de termos um colapso econômico. Cabe a cada um de nós fazer sua parte e ajudar para que empresas se mantenham vivas e os empregos estáveis. Algumas boas ideias são organizadas por empresários, como, por exemplo, Felipe Buttignon, diretor da rede Palomax de supermercados.

Felipe coloca produtos de empresas locais à venda dentro dos seus supermercados para incentivar o consumo. A ACE-Matão está fortemente empenhada em também buscar ideias com o intuito de motivar o consumo. Começaremos com uma campanha de incentivo às compras, lembrando sempre da importância do consumo em pequenos empreendedores; e que mesmo em isolamento, precisamos comprar uns dos outros.

Como não podemos ir até as lojas, estamos finalizando o desenvolvimento de um aplicativo da ACE-Matão. Nele, a população poderá se conectar instantaneamente com as lojas associadas e fazer sua compra diretamente com a empresa, com entrega grátis, condição esta que negociamos para viabilizar financeiramente junto aos empresários associados.

Dos governos municipais, estaduais e federal espera-se que o apoio aos empresários seja feito de maneira imediata, pois o tempo de sobrevida das empresas é curto. Isenções de impostos municipais, estaduais e federais são solicitadas por diversas classes representativas, como, por exemplo, isenção em energia, água e apoio financeiro governamental aos empresários.

A ACE-Matão enseja aos consumidores que não deixem de comprar nas lojas de nossa cidade que – no momento – atendem por delivery (entrega à domicílio); que preservem o pequeno comerciante, o prestador de serviços, o nosso empresário do setor gastronômico. Todos os consumidores, provavelmente, conhecem alguém que trabalha no comércio. Ajude a manter o emprego de quem você gosta!

Para o atual momento, consideramos que o ‘lockdown horizontal’ (paralisação total) que estamos vivendo deveria permanecer por um período de 15 a 20 dias, tempo descrito por autoridades da Saúde como o pico de contágio. Posteriormente a isso, apoiaríamos o conceito de ‘lockdown vertical’, em que cada empresa poderá ter o acesso de clientes – dentro de especificações.

Nas especificações pertinentes a supermercados, por exemplo, deverá ser considerado o número limite de pessoas por metro quadrado, espaço de dois metros de distância entre pessoas na fila e outras medidas, isolando os grupos de risco e conscientizando a população em como agir frente a esta nova realidade, até que tudo se normalize.

Vale lembrar – em especial ao Executivo municipal – que, enquanto associação, estamos à disposição para compartilhar e contribuir com ideias que poderão ajudar o comércio, e que decisões, como os Decreto emitidos, possam ser compartilhadas e discutidas entre todas as entidades que representam o comércio de Matão”.

Fernando Mendes, presidente da ACE-Matão

“Embora acompanhássemos as notícias de que a Covid-19 assolava a China, o Irã, a Itália e outros países, tínhamos esperança de que o vírus não chegasse ao Brasil ou, no mínimo, não atingisse municípios interioranos como nossa Matão. Mas parece que chegou... Vivemos um momento único, catastrófico. Como pessoa, ex-funcionário e empresário, nunca vi período tão triste. Nossas famílias estão em risco!

Chegamos ao ponto de termos que fechar estabelecimentos comerciais, gastronômicos, de entretenimento, clubes, escolas, de não realizarmos aglomerações, não tocarmos as mãos, nem nos abraçarmos. São medidas drásticas, mas necessárias. Em relação a maior parte dos municípios da região, Matão tem dois, três dias de vantagem quanto a medidas de contingências tomadas. Talvez sejamos um pouco menos penalizados devido a esta pequena antecipação.

Ao percorrer ruas e avenidas de Matão, parece que estamos no início de uma manhã de domingo, quando todos ainda dormem depois de irem ao baile na noite anterior, do qual saíram às 4 da manhã. Mas não é isso! É entristecedor andar por Matão e ver nossa cidade parada, ver as portas fechadas sem saber se reabrirão na segunda-feira. Outras cidades-fantasmas vivem a mesma situação.

Muito pior é olhar as portas fechadas do lado de dentro das lojas, garanto. Chega a angustiar! Nos sentimos de mãos atadas, com vários compromissos assumidos, fornecedores para pagar e 45 colaboradores que nos levam a uma quantidade média aproximada de 200 pessoas ao entorno deles. As duas unidades da Beraldo Perfumaria e Cosméticos dependem de abrir as lojas para vendas presenciais.

Estamos proibidos de abrir por motivo de preservação da nossa saúde, da saúde dos nossos colaboradores e de tantas outras pessoas. É por motivo justíssimo que estamos fechados. Mas nos sentimos impotentes como empresários diante do momento. É um nocaute, pois, afinal, o varejo não sobrevive sem vendas. Que remédio amargo tomamos neste lamentável período! Puxa vida!

Os sentimentos de esperança e do otimismo com realismo sempre marcaram minha vida pessoal e profissional. Contudo, o grande problema envolve as contas que não cessam. A Beraldo Perfumaria e Cosméticos completará 25 anos no próximo dia 20 de maio. Há praticamente um quarto de século – para nossa alegria – nunca tivemos que renegociar com fornecedores.

Graças a Deus, sempre honramos pontualmente nossos compromissos. Será extremamente desconfortável termos que renegociar. Vencimentos de menores portes são quitados, mas há compromissos e obrigações como impostos, taxas, tarifas, tributos, há os vencimentos de maior porte junto a fornecedores. Há nossos colaboradores, aspecto que mais nos preocupa.

Concedemos férias coletivas a nossas equipes, do último dia 23 de março até o próximo dia 7 de abril, e ainda teremos que definir como faremos quanto aos outros 14 dias restantes para completar os 30 dias de férias. Daí para frente será complicadíssimo. Vamos nos valer do que for possível para honrar nossas contas. Todas elas! Faremos o que estiver ao nosso alcance, de acordo com as circunstâncias.

Não há clima para exigências e cobranças por parte dos bancos quanto ao saldar de parcelas e juros de empréstimos. Acredito que o sistema bancário flexibilizará, pois há alternativas para dilatarem prazos. É óbvio que cobrarão o que devem a eles, mas fica – no mínimo – a expectativa da prorrogação de prazos, condição alicerçada por alguma medida do Governo Federal, talvez pelo subsídio de taxas e outras medidas compatíveis com a realidade vivida.

Que os valores a serem pagos aos bancos sejam compatíveis com a inflação do período, por exemplo. Temos que sobreviver! Somos trabalhadores! Precisamos de ajuda para lutar e resistir a este fortíssimo impacto. Se medidas colaborativas e de auxílio forem tomadas, sairemos deste pesadelo. Após, a retomada deverá ser lenta e gradativa, com poucas vendas. Venceremos esta catástrofe, se Deus quiser!”.

Edson Beraldo, sócio-proprietário da Beraldo Perfumaria e Cosméticos.

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