Número de imóveis vagos na área central chama atenção
Bairros também apresentam considerável quantidade disponível para alugar
Do acervo · publicada originalmente em 1 de fevereiro de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Muitos imóveis – sobretudo comerciais – estão disponíveis para locação ou venda na região central e por bairros de Matão. A quantidade é bastante significativa. Felipe Bambozzi Veasey (proprietário da Imobiliária Conquista) e Marcio Antonio Monari (proprietário e corretor da Imobiliária Glória) foram ouvidos por A Comarca sobre o assunto.
“É questão de mercado. A construção civil e o ramo imobiliário sofrem como todos os setores com os acontecimentos da economia. O dinheiro ficou mais difícil. A região central de Matão, em sua maioria, é provida de imóveis comerciais. Pergunte a qualquer comerciante como andam as coisas; vendas, então... mesmo com o crédito relativamente baixo, não existe a procura. Isso se deve também a salários, endividamento das famílias, etc. Já com os imóveis residenciais para locação, com preços praticados desde 2014, acontece o inverso, pois existe procura para esses imóveis e estão sendo alugados.
Sofremos com este quadro desde o final de 2014 e – acredito – atingimos o ápice em 2019. Trabalhamos de todas as formas para continuar atendendo nossos clientes. Há muitas conversas com colaboradores e parceiros. Na medida do possível, conseguimos melhorar o preço dos imóveis para venda. Precisamos fazer nossa parte e não esperar milagres do Governo Federal. Precisamos do apoio da Prefeitura, pois muito imóveis ficam parados por falta de documentação.
Por falta de documentação e outros motivos, terrenos não são vendidos, pedreiros não trabalham, empresários da construção não investem, engenheiros e arquitetos não elaboram projetos, comerciantes de materiais não vendem; corretores de imóveis, pintores, encanadores, eletricistas, entre outros, ficam com atividade muito reduzida, pois a cadeia nesse ramo é muito vasta. Precisamos gerar negócio, agilidade e apoiar a construção civil.
As imobiliárias sofrem de todos os lados. Alguns proprietários acham que o corretor de imóveis é milagroso... Não existe milagre; existe oferta e procura. O corretor somente faz a ligação entre oferta e procura e acompanha para que o negócio aconteça sem problemas futuros. Nós trabalhamos com construção de imóveis; temos o compromisso de entregar um imóvel de qualidade, que possa ser financiado e seu futuro proprietário esteja satisfeito com a compra. Para que isso aconteça, a ‘engrenagem’ tem que girar; cada peça precisa estar em seu lugar. Assim, a sociedade ganha como um todo.
Esperamos que realmente os problemas encontrados em Matão – neste sentido – tenham um fim. Não somos os donos da verdade; somos sabedores de que precisamos fazer nossa parte. Precisamos continuar comprando terrenos, construindo e vendendo. Automaticamente, as vendas de imóveis usados acontecem. Não podemos é ficar parados esperando algo cair do céu”.
Marcio Antonio Monari, proprietário e corretor da Imobiliária Glória.
“Há muitos compradores de imóveis focados em investimentos comerciais, pois, afinal, é financeiramente atrativo comprar e derrubar um imóvel antigo para instalar no local quatro, cinco salões comerciais. Estes investidores colocam estes pontos comerciais à disposição de locações e um processo natural, condizente com a evolução do mercado, ocorre com a ida de clientes que ocupam antigos imóveis comerciais para estes salões mais novos e com melhor localização.
Esta movimentação de um imóvel comercial para outro faz aparecer pontos comerciais mais antigos sem ocupação – na maioria dos casos, pois há um ou outro salão comercial considerado novo fechado também. Temos que levar sempre em consideração os momentos econômicos vividos pela população atrelada à situação financeira de empresas matonenses – sobretudo do setor metalúrgico – que impactam no desenvolvimento do comércio.
De modo geral, Matão passou por momentos econômicos complicados e ainda vive um cenário em que se buscam dias bem melhores. Mas as empresas de Matão sempre se recuperaram e a situação sempre foi melhor a partir das retomadas. Cabe ressaltar que me refiro a imóveis comerciais, pois no caso de imóveis residenciais, a Imobiliária Conquista sente até a falta deles para clientes que procuram moradias.
O mercado imobiliário teria um grande salto se conseguíssemos trazer diferentes públicos consumidores para Matão, para justamente gerar novos hábitos de consumo. Temos que investir ainda mais no setor da educação, pois os ensinos universitário e técnico, por exemplo, trazem alunos de outros municípios e isso impactaria bastante em nossa economia, começando pelo setor imobiliário, pois a moradia é a primeira necessidade a um estudante de fora.
Destaca-se que imóvel parado não é bom para ninguém, pois significa capital imobilizado: o proprietário não tem o seu rendimento, a imobiliária não recebe a taxa de administração e isso afeta a rentabilidade de todos. Há também a necessidade do proprietário dar manutenção ao imóvel parado”.
Felipe Bambozzi Veasey, proprietário da Imobiliária Conquista.
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