Sorema recebe o Clube de Xadrez de Matão
Sede foi inaugurada no sábado (26)
Do acervo · publicada originalmente em 29 de outubro de 2019
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 5 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2019Desde sábado (26), o Clube de Xadrez de Matão (CXM) tem nova sede: a Sala ‘Alzir e Mario Biava’, na Sociedade Recreativa Matonense (Sorema). “É um momento histórico, início de uma parceria entre dois ícones matonenses: a Sorema e o CXM”, resume José Matturro, presidente da Sorema. A princípio, o CXM receberá enxadristas (associados ou não) aos sábados das 15 às 18 horas.
Por iniciativa de Matturro e aprovação do Conselho Deliberativo da Sorema, o CXM ocupará 60 m² em parte da área que abrigou a Academia Boa Forma. “Em outra parte, teremos espaço para aulas de Zumba e ensaios do Coral Sorema Canto Livre – caso o coral queira usá-la. E numa terceira parte de onde foi a academia, há um espaço para aulas de Defesa Pessoal”, descreve Matturro.
“É satisfação para o clube receber o histórico CXM. Por quase 100 anos se joga xadrez em nossa cidade e as equipes, ao longo das décadas, projetaram Matão pelo Estado de São Paulo, pelo Brasil e até internacionalmente, começando com partidas de Mario Silas Biava como Mestre Internacional Postal, passando por Opens Internacionais do Fernando César Frare, contribuições do Grande Mestre Internacional (GMI) Felipe De Cresce El Debs e continuando pela internet”, relata Matturro.
“Também joguei xadrez, mas por pouco tempo. É um desporto que traz variados conhecimentos a quem o pratica. Na Sorema, o CXM também receberá gratuitamente crianças, jovens e adultos associados que queiram jogar ou aprender a jogar xadrez. Já temos futebol, natação, tênis, basquete, vôlei de quadra e de areia, handebol, beach tennis, hidroginástica, nossa ampla Academia Boa Forma, entre outras atividades. Desde sábado, também temos o xadrez”, diz.
“Agradecemos muito a iniciativa do presidente Matturro e a aprovação do Conselho Deliberativo da Sorema por abrirem as portas para o CXM. São dois nomes fortes e históricos que se dão as mãos de forma definitiva, pois muitas parcerias já aconteceram ao longo de décadas, mantidas pela atual gestão do clube por meio das edições anuais do ‘Open Sorema de Xadrez’. Obrigado também ao suporte dado pela Secretaria Municipal de Esportes, Lazer, Turismo e Juventude nas sedes anteriores”, cita Frare.
A inauguração da nova sede do CXM aconteceu no sábado (26), para convidados. Na mesma ocasião foram inaugurados os outros dois espaços citados.
HISTÓRIA
Na ocasião do lançamento de seu livro ‘Jogadas Históricas’, em 2004, Mario Biava disse acreditar que Arnaldo Dalmiglio (Neno), primo de seu pai Alzir Biava, aprendeu a jogar xadrez com pessoas de outras cidades ainda na década de 1920. “Isso porque, no início da década de 1930, a força de Neno era exageradamente desproporcional à dos demais enxadristas”, considerou Mario.
“O pessoal só foi equilibrar as partidas com o Neno no final da década de 1940. Como ele ficou tão forte? Indícios apontam que ele teve amigos em Jaboticabal e em Dobrada, onde havia uma pessoa com uma excelente biblioteca de xadrez. Há outra versão: a daqueles que afirmavam que o Neno aprendeu com Antonio Gandini (Tonhim)”, registrou Mario.
Foi Neno quem ensinou Alzir, que por sua vez ensinou a tantas dezenas, entre eles seu filho Mario, que aprendeu a jogar aos 14 anos de idade, em 1960. Mario tornou-se um enxadrista muito forte, determinando seu espaço como o elo entre todas as gerações do CXM. Há um ano, em outubro de 2018, Mario mudou-se com a esposa Antonia para o convívio familiar com sua filha Roberta, o genro Fabrício e os netos Beatriz e Ismael no Pará, residindo atualmente em Canaã dos Carajás.
Embora o xadrez fosse jogado por aqui desde a década de 1920, o CXM somente foi criado no final de 1944 com a seguinte diretoria: Mauro Sampaio (presidente), Gino Hugo Gandini (tesoureiro), João Baptista Mazuchelli (secretário) e Alzir Biava (diretor técnico). No dia 17 de fevereiro de 1945, a entidade se filiou à Federação Paulista de Xadrez (FPX) e imprimiu planilhas de jogo.
Os integrantes do CXM queriam uma sede própria e buscaram apoio. Desde os primórdios, o xadrez de Matão se deparou com políticas que ajudavam, mas também cobravam posturas nem sempre compreendidas... Desde seus primeiros movimentos, nosso xadrez tenta manter sua neutralidade para desenvolver sua arte, desporto, sua ciência, ensinar, partilhar e revelar enxadristas.
Mais do que jogadores, o xadrez de Matão revelou talentos, paulatinamente sucessivos. Foi assim da sua primeira luz até 1955, quando surgiu a primeira crise causada pela falta de apoio. Alzir, por exemplo, teve que jogar por Jaú nesse ínterim. Porém, o ‘Velho’ não desistiu e retomou o xadrez matonense ainda no final da década de 1950. Destaca-se que o xadrez sempre esteve na alma de Alzir e salienta-se a sua vasta contribuição ao desporto por praticamente toda sua vida.
Em 1960, acompanhado por Waldyr Martiniano (Piteira K), Rubens Bottura, Elias Rached, Geraldino de Oliveira Simão (Dinho) e outros, Alzir levou o material do xadrez de Matão da sua casa para uma sede própria, na Rua João Pessoa, nº 1.155 (Centro). Foi essa sede própria a casa que viu a criação do CXM e seu registro oficial, no dia 9 de dezembro de 1960. Portanto, o CXM e a Sorema têm o ano de 1960 em comum – pela fundação do clube em 7 de outubro de 1960.
Pode-se considerar que – oficialmente – ambos completarão 60 anos em 2020, embora a criação do CXM se deu no final de 1944 e seu registro na FPX em 17 de fevereiro de 1945. A Sorema cresceu onde surgiu. Além das residências de Neno e de Alzir, o nosso xadrez habitou a Biblioteca Municipal quando esta era quase na esquina da Rua José Bonifácio com a Avenida Tiradentes; e um prédio na esquina da Avenida Siqueira Campos com a Rua Cesário Motta.
Também esteve numa sala no Ginásio ‘Décimo Chiozzini’; defronte ao atual Immes, na Avenida Tiradentes; passou novamente por duas residências dos Biava, uma na esquina da Rua João Pessoa com a Avenida 28 de Agosto e outra uns 30 metros adiante, na Rua João Pessoa. Deste local foi para a Avenida Siqueira Campos, nº 1.290 (Centro), onde dividiu sede por quase dez anos com o Núcleo Orquidófilo de Matão (NOM), de 29 de outubro de 2009 até a inauguração na Sorema no sábado (26).
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