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Saúde

Falando sobre TDAH

Conheça mais sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

Do acervo · publicada originalmente em 24 de julho de 2019

Fonte: Da Redação

Foto: Acervo A Comarca

Falando sobre TDAHAcervo · 2019
Falando sobre TDAH

Nos últimos anos têm se tornado mais populares os comentários, questionamentos e reflexões sobre o TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Descrito e reconhecido pelo Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais DSM-5, é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado basicamente por desatenção e impulsividade. Pode apresentar-se na pessoa de diferentes subtipos, sendo: TDAH predominantemente desatento, predominantemente hiperativo/impulsivo ou do tipo combinado. Isso significa que a inquietude e a agitação psicomotora não ocorrem em todas as crianças que possuem o TDAH.

Em média, de 30% a 40% das crianças com este diagnóstico não são hiperativas, mas sim desatentas em excesso. Em geral, a criança desatenta é tímida, introspectiva, não questiona em sala de aula e geralmente apresenta baixo rendimento. No TDAH do tipo combinado, a criança é agitada, inquieta, requer atenção dos adultos, pode apresentar prejuízo com relação às habilidades sociais, não sabe esperar sua vez, interrompe a fala do outro constantemente, fazendo com que seja encaminhada mais cedo para avaliação diagnóstica. A criança puramente desatenta pode passar despercebida muitas vezes por ser ‘silenciosa’. Em síntese, nem toda criança com TDAH é hiperativa, mas toda criança hiperativa no TDAH tem déficit de atenção associado.

Outros sinais observados são oscilação de humor, dificuldade para regular emoções diante de algumas frustrações ou atividades vivenciadas (como ter que esperar a vez e/ou ter que realizar tarefas com velocidade diminuída para fazer corretamente). Aumento da irritabilidade, choro fácil, imaturidade emocional, desorganização motora, espacial e global para atividades que exijam prazo e regras também podem ser percebidos.

Resumidamente, os cinco sinais básicos do TDAH são déficit de atenção excessiva, hiperatividade, impulsividade, aversão às frustrações e desorganização motora, espacial e global. Dessa forma, torna-se necessário o entendimento de que o TDAH, embora traga dificuldades escolares, está presente no cotidiano, ou seja, se manifesta em outras atividades realizadas no dia a dia, que também podem ficar prejudicadas.

A criança com TDAH apresenta atitudes, diálogos e brincadeiras imaturas se comparada a crianças de sua idade. Além disso, a forma de reagir em situações de conflito também não é a esperada para sua idade cronológica (o que não quer dizer deficiência intelectual, mas sim nível de maturação, e por isso o ritmo mais lento para aprendizagem relacionado à sua idade). Essas crianças, em geral, apresentam déficit de dopamina nas áreas cerebrais responsáveis pela autorregulação da atenção.

Crianças com TDAH apresentam dificuldade para manter uma autorregulação emocional, se autoengajar, cumprir tarefas que necessitam de regra, prazo, rotina, detalhes e sequências. Neste caso, são levadas a quedas no rendimento não apenas escolar, mas sim global (não cumprem prazos, expectativas, tem dificuldade em dar conta do passo a passo de atividades em geral, perdem a noção de começo, meio e fim e não garantem conclusão de forma adequada e eficaz, muitas vezes abandonam suas atividades sem concluí-las).

Geralmente, apresentam dificuldade para cumprir tarefas quando não há recompensa associada (a recompensa precisa ser imediata e não em longo prazo; o ideal é que não seja recompensa material). É importante ressaltar e compreender que, principalmente os hiperativos, são opositores, desafiadores e competitivos. O diálogo firme é fundamental, olho no olho, mas afetuoso. O diálogo deve se dar em todas as esferas: com a criança, com a família e entre a equipe de acompanhamento.

Por abranger e ter um impacto significativo no desenvolvimento neuropsicossocial, a atenção deverá ser redobrada sempre, inclusive com os adolescentes com TDAH, que podem vir a apresentar comprometimento no comportamento, na autoestima, quadros depressivos, transtornos de ansiedade e, na fase adulta, perdurar problemas de autoestima.

Tal complexidade torna necessário o tratamento em equipe multidisciplinar, pois vários são os fatores (cognitivos, motores, emocionais e sociais) inseridos neste contexto e que dificultam a realização de suas atividades cotidianas, como trabalho, educação, lazer, participação social, sono e descanso. A equipe pode ser composta por médico psiquiatra ou neurologista; psicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, entre outros, sempre respeitando as necessidades individualizadas e a idade possível para conclusão deste diagnóstico, geralmente a partir de seis anos.

Autoras: Leila Cestari, Renata Constantino e Valéria Abreu

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