Abimaq perspectiva falta de recursos para máquinas
Afirmação parte do presidente da entidade, João Carlos Marchesan
Do acervo · publicada originalmente em 3 de julho de 2019
Fonte: Marcela Caetano (Valor Econômico - São Paulo)
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2019Assim como ocorreu na safra 2018-2019, os recursos para a aquisição de máquinas agrícolas por meio do Moderfrota (linha de crédito com juros controlados alimentada com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES) não deverão ser suficientes para financiar os agricultores na nova temporada, que começou em 1º de julho.
É o que afirmou na terça-feira (25) o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan. Na temporada 2018-2019, que terminou oficialmente no domingo (30), foram destinados R$ 8,9 bilhões ao Moderfrota, com juros entre 7,5% e 9,5%, e desde abril não há recursos na linha para financiar máquinas agrícolas.
Para ele, seriam necessários R$ 15 bilhões para suprir a demanda, enquanto o Plano Safra 2019-2020 destinou à linha R$ 9,6 bilhões, com juros de 8,5% a 10,5% ao ano. “O dinheiro para investimento é insuficiente. Até o próximo mês de dezembro ou janeiro de 2020, bateremos na porta do Ministério da Agricultura novamente. Nossa preocupação é que se repita o que ocorreu nesta safra”, diz João Carlos.
“Há pelo menos R$ 3 bilhões em pedidos só esperando o novo Plano Safra entrar em vigor para serem executados”, calcula. João estima que os recursos do novo plano estarão de fato disponíveis nos bancos a partir do próximo dia 9 de julho. Na avaliação do presidente da Abimaq, a entrada dos bancos privados no mercado poderá amenizar o problema.
“Poderá não faltar recurso se os bancos privados e os de fábrica entrarem com mais substância”, considera João, para quem “essas instituições deverão praticar juros próximos aos do Moderfrota. A Selic deverá ter um corte agressivo, de 6,5% para 5,5%, aumentando a distância entre a taxa básica de juros e os financiamentos agrícolas. Não há motivo para isso”, menciona.
Para este ano, ele estima que as vendas de máquinas agrícolas podem crescer em relação a 2018. No ano passado foram vendidas 47,7 mil unidades no mercado doméstico. “Estamos mantendo esse número projetado no começo do ano, já que faltaram recursos. Mas as vendas poderão crescer, dependendo de como será o ano do agricultor daqui para frente”, coloca.
Para o presidente da Abimaq, pesam a favor dos produtores brasileiros o clima nos Estados Unidos, que levou ao atraso no plantio e deverá favorecer os preços dos grãos, bem como o câmbio. “Teremos um produtor de grãos capitalizado”, perspectiva João Marchesan.
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