Dengue: número de casos suspeitos cresce a cada dia
Procura por atendimento nos Postos de Saúde do município é grande
Do acervo · publicada originalmente em 3 de fevereiro de 2019
Fonte: Ingrid Alves
· Leitura de 5 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2019As altas temperaturas acompanhadas pelas chuvas formam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya. Nesta época é comum haver o registro de casos dessas doenças. O problema é que, comparada a 2018, a procura por atendimento nos Postos de Saúde do município está maior e os casos suspeitos de dengue vêm aumentando a cada dia.
Até a manhã desta quinta-feira (31) eram quatro casos oficialmente confirmados de dengue e 24 suspeitos, aguardando o resultado de exames. Dois dias antes, na terça (29), eram 19 casos suspeitos. Em 2018, durante todo o ano, foram confirmados apenas 10 casos. De acordo com Sergio Luiz Lucatelli, diretor municipal de Vigilância Sanitária, os quatro casos já confirmados neste ano devem ser autóctones (adquiridos em Matão). Dos registros suspeitos, grande parte pode ser importada (quando a pessoa adquire a doença em outra cidade).
Dos quatro casos oficialmente confirmados na cidade, dois estão no Centro, um no Portal Terra da Saudade e outro na Nova Matão. Nestes locais, a Prefeitura está fazendo o trabalho de nebulização – o chamado ‘fumacê’. “Eu só tenho o inseticida liberado quando há casos confirmados. Não podemos fazer esse trabalho em toda a cidade porque o mosquito pode ficar ainda mais resistente”, explica Lucatelli.
Nos bairros onde há suspeita é realizado o bloqueio, com vistoria casa a casa nos quarteirões que circundam a residência do doente. No entanto, de acordo com agentes do Controle de Vetores, nem todos abrem o portão para receber a equipe. “Algumas pessoas até soltam os cachorros quando estamos passando”, contou uma das agentes, enquanto tocava a campainha de casas no AzulVille na manhã da quinta-feira (31).
POSTO DE SAÚDE
Febre, dor de cabeça, nos olhos, nas articulações, mal-estar e manchas avermelhadas são alguns dos sintomas mais comuns da dengue. E a cada dia aumenta o movimento nos postos de saúde com pessoas relatando essas ocorrências. Segundo a enfermeira do Centro de Saúde, Ana Bopp, 2019 já registra uma alta procura pela realização do exame que constata ou não a dengue. “Acredito que neste ano, infelizmente, teremos um aumento no número de casos porque o movimento nos Postos já está bem diferente”, diz. Todos os Postos de Saúde do município estão aptos a atender casos suspeitos de dengue.
Por enquanto, não há vacina que previna a doença e a orientação é simples: cuidar do quintal e da casa, não deixando água parada em lugar nenhum. Ralos, saídas de ar-condicionado, garrafas, pneus, piscinas, reservatórios de geladeira, baldes e até tampinhas de garrafa podem ser um criadouro do mosquito (confira as dicas no quadro). Em cada caso suspeito que chega aos Postos de Saúde, a Vigilância Sanitária é notificada para que uma ação seja tomada, por isso é importante relatar todos os casos, mesmo quando houver atendimento particular. De acordo com os profissionais, o vírus que está circulando na cidade é do tipo 2, mais agressivo e resistente.
REGIÃO
Alguns casos suspeitos de dengue podem ter sido importados de cidades da região, como Araraquara. O município vizinho está em alerta. Nos 30 primeiros dias do ano já foram registrados mais de 350 casos. Dados da Prefeitura de Araraquara dão conta de que 11,8 casos de dengue são registrados na cidade diariamente. Os casos suspeitos chegam a 300 por dia.
Durante coletiva de imprensa, realizada na quarta-feira (30), a Prefeitura de Araraquara informou que está providenciando medidas para combater o avanço da doença, que já possui pouco mais de um terço do que todo o registro do ano passado, quando foram confirmados 1.131 casos. Dentre as medidas anunciadas estão a realização de ações integradas, como, por exemplo, mutirões nos bairros aos sábados, limpeza pública, avaliação de densidade larvária, tira dúvidas via whatsapp e assistência ao paciente nas unidades de saúde.
Dicas para combater o Aedes aegypti
* garrafas PET e de vidro devem ser embaladas e descartadas corretamente na lixeira, em local coberto ou de boca para baixo;
* não deixe água acumular nas lajes (mantenha-as sempre secas);
* tampe os ralos com telas ou mantenha-os vedados, principalmente os que estão fora de uso – coloque detergente uma vez por semana neles;
* deixe a tampa dos vasos sanitários sempre fechada ou vede com plástico;
* mantenha a piscina sempre limpa, use cloro para tratar a água e o filtro periodicamente;
* atrás da geladeira existe um coletor de água, lave-o uma vez por semana, assim como as bandejas do ar-condicionado – colocar detergente ajuda a proteger;
* limpe e nivele a calha, mantenha-as sempre sem folhas e materiais que possam impedir a passagem da água;
* os baldes e vasos de plantas vazios devem ser guardados em local coberto com a boca para baixo;
* evite ter bromélias e outras plantas que acumulam água ou retire semanalmente a água das folhas;
* lave o suporte de garrafão de água mineral sempre quando fizer a troca e mantenha vedado quando não estiver em uso;
* conserte e nivele toda imperfeição em pisos e locais que possam acumular água;
* caixas de água, cisternas e poços devem ser mantidos fechados e vedados;
* mantenha vedados tonéis e depósitos de água;
* coloque um saco plástico em objetos que acumulam água, feche bem e jogue no lixo;
* os potes com água para animais devem ser muito bem lavados com água corrente e sabão no mínimo duas vezes por semana;
* pratinhos de vasos de plantas devem ser limpos e ter areia até a borda;
* objetos d’água decorativos devem ser mantidos sempre limpos com água tratada com cloro ou encher com areia;
* crie peixes, pois eles se alimentam com as larvas do mosquito;
* entulho e lixo devem ser descartados corretamente, guarde os pneus em local coberto ou faça furos para não acumular água;
* mantenha a lixeira tampada e protegida da chuva, feche bem o saco plástico.
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