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Cidade

Famílias despejadas completam sete meses sem ter onde morar

Vinte famílias ainda tentam conseguir um pedaço de terra

Do acervo · publicada originalmente em 22 de janeiro de 2019

Fonte: A Cidade On

Foto: Acervo A Comarca

Famílias despejadas completam sete meses sem ter onde morarAcervo · 2019
Famílias despejadas completam sete meses sem ter onde morar

As famílias que foram despejadas do assentamento Monte Alegre III, em Matão, após uma reintegração de posse em junho de 2018, completaram sete meses sem ter onde morar. 

Desde que foram retirados do local onde viveram por três anos, os assentados já ficaram acampados em frente à estação de trem no distrito de Bueno de Andrada, em Araraquara (SP), foram alojados em um clube desativado e atualmente estão acampados no horto da cidade. 

A Prefeitura de Araraquara diz que foi sugerida a possibilidade de aluguel social e cadastro habitacional, mas as famílias buscam por um pedaço de terra. 

"Muita gente não sabe fazer nada na cidade. É só mexer com terra. De imediato a gente não vai conseguir levar aquela vida, mas com um ano, dois anos a gente se ajeita", justificou o agricultor, Marcos Torres. 

Sem parada 
Em 2015, 270 famílias ocuparam parte do assentamento Monte Alegre, mas foram retiradas em 2018 por policiais militares que cumpriram uma ordem de reintegração de posse do Ministério Público. 

Dezenas de famílias foram então para Bueno de Andrada, até que a empresa que opera a linha de trem entrou com um pedido de reintegração para a retirada delas da área em que ocupavam em frente à estação. 

Sem ter para onde ir, os assentados voltaram para o primeiro acampamento. Com a intervenção da prefeitura e da defensoria pública eles foram levados para o salão de festas do clube Estrela em Araraquara. 

 Mas sem ter do que viver e com o clube precisando do local, mais uma vez precisaram se mudar. 

Atualmente, o grupo conta com 20 famílias, que estão acampadas no horto florestal de Araraquara, uma área pertencente ao governo estadual enquanto aguardam uma decisão da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). 

"Existem áreas abandonadas no próprio Monte Alegre que poderiam assentar parte dessas famílias, senão todas, diminuindo o déficit agrário que a gente tem", afirma ao defensor público Luis Marcelo Bernardes que acompanha o caso. 

A Fundação Itesp informou que antes da ocupação da reserva legal eles cumpriam um TAC com o Ministério Público pra recuperar parte da área atingida por um incêndio, mas as famílias passaram a viver no local e o trabalho foi interrompido, o que implicou no descumprimento do acordo. Disse ainda que as famílias já foram informadas que não há área pública estadual na região para um novo assentamento.

AssuntosAssentamento
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