Ewely leva sua arte a Santos
Exposição com 18 obras da matonense segue aberta ao público
Do acervo · publicada originalmente em 23 de janeiro de 2019
Fonte: Da Redação
· Leitura de 5 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2019A artista plástica Ewely Branco Sandrin expõe obras na Pinacoteca ‘Benedicto Calixto’, em Santos, propondo nos remeter ao universo feminino e a diversas questões relacionadas à mulher. Sem título central, é composta por 18 obras entre pinturas e a instalação artística ‘Woman’ – esta, composta por pinturas e objeto. A mostra resulta de pesquisa da artista baseada em experimentações visuais com imagens de elementos da natureza presentes na paisagem urbana, submetidas a processos de síntese, ampliação, espelhamento e a variações no uso das cores. A Comarca entrevistou Ewely Branco, que tem intenção de trazer esta exposição para Matão.
Por quanto tempo você ‘foi’ matonense?
Sou filha de Reinaldo José Sandrin e Marina Elice Branco Sandrin e tenho um irmão, Carlos Henrique. Nasci em Cândido Rodrigues no dia 19 de maio de 1973 e minha família chegou a Matão em 1975. Estudei nas Escolas Estaduais ‘Chlorita de Oliveira Penteado Martins’ (1980 e de 1982 a 1987), ‘Laert José Tarallo Mendes’ (1981) e ‘Henrique Morato’ (1988), além da EM ‘Adelino Bordignon’ (1989 e 1990). Concluí em 1997 minha graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e em 2009 ingressei na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde concluí o Mestrado e o Doutorado em 2012 com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O tema de minha tese é ‘Arte/Arquitetura/Design: tecnologias atuais nas estações do metrô de São Paulo’. Especializei-me em projetos de obras artísticas para espaços públicos e trabalhos de comunicação visual. Vivo em São Paulo desde 1998.
Como você ingressou nas artes plásticas?
Sempre gostei de desenhar. A atuação em artes plásticas, na arquitetura e no design gráfico está fortemente relacionada à minha formação como artista. Adquirir conhecimento técnico para que pudesse colocar em prática a pintura em tela era uma inquietação que tinha desde a faculdade. Fiz um curso na Oficina de Arte ‘Terra e Soares’ (São Paulo), onde aprendi diversas técnicas de pintura sobre tela. Em 2004, iniciei o percurso em direção à docência. Frequentei cursos da Pós-Graduação da FAU-USP onde tive a oportunidade de conhecer professores e arquitetos que atuam nos campos das Artes Plásticas e da Comunicação Visual, o que ampliou meu interesse pelas duas disciplinas e contribuiu para minha formação. Os conhecimentos adquiridos na pesquisa de Mestrado e Doutorado, nas disciplinas cursadas na Pós-Graduação, nas atividades de estágio supervisionado e como docente do grupo de Comunicação Visual do Departamento de Projeto da FAU-USP, possibilitaram reflexões sobre a atual situação da arte contemporânea. Desde 2005, trabalho no atelier do artista plástico Claudio Tozzi, onde coordeno alguns projetos de design de livros/catálogos e de painéis artísticos para edifícios e cidades. Essa atuação diversa estimula constantemente o desenvolver de meu trabalho artístico. De 2015 a 2017, fui professora contratada pelo Departamento de Projeto nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design da FAU-USP. Já colaborei na montagem de exposições internacionais de artes plásticas e atuei como assistente de curadoria da exposição ‘Emblemas da cultura brasileira: retrospectiva de Claudio Tozzi’, na Caixa Cultural São Paulo.
‘Trabalhos resultam de minha pesquisa com imagens e cores’
Quem te influenciou ou ainda te inspira?
Alguns movimentos artísticos influenciaram o meu trabalho, como a Pop Art, que trabalha com imagens do dia a dia, mais populares. Em minhas obras, faço uso de imagens de elementos da natureza, comuns na paisagem urbana; porém, minhas obras são criadas a partir de uma atitude construtiva. Minha formação em arquitetura faz com que eu ‘projete’ a imagem que reproduzirei na tela. Neste sentido, os artistas que me influenciaram foram Andy Warhol, Sol LeWitt, Claudio Tozzi, Regina Silveira e Rubens Gerchman.
Quais os estilos já desenvolvidos por você?
Tenho pesquisado muito a síntese da forma e da cor. Os trabalhos atuais, com dimensões maiores, massas de cores chapadas e intensas apresentam uma proximidade com a Pop Art.
Quais os locais onde você já expôs?
Tenho participado de algumas exposições coletivas, como ‘Chapel Art Show’, em São Paulo; ‘Uiwang International Placard Art Festival 2017: Feel the art/Learn the art/Enjoy the art’, na Corea; ‘Oltrefrontiera: mostra internacionale d’arte di artisti italiani e brasiliani’, Palazzo Caetani, na Itália; ‘Biennale D’Arte Internazionale Di Roma’, Centro Internazionale Artisti Contemporanei’ (Ciac), Itália; Espaço Cultural 5º Centenário’ da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Você já expôs em Matão? Quando?
Expus na Casa da Cultura ‘Prefeito Armando Bambozzi’, em 2006. A partir desta mostra fui convidada para expor na Câmara Municipal de Matão, no mesmo ano. Pretendo trazer meus trabalhos atuais expostos na Pinacoteca de Santos para Matão.
Quais suas principais obras?
Os primeiros trabalhos contribuíram para que eu me aprofundasse nas técnicas de pintura. Os trabalhos recentes resultam de minha pesquisa com imagens e cores em que o processo de criação tem como ponto de partida os registros fotográficos que realizo de elementos da natureza presentes na paisagem urbana. São obras baseadas em um pensamento preocupado com a visualidade, com a percepção da imagem, em que faço uso de diferentes recursos aplicados na comunicação visual, tais como a síntese, a ampliação, o espelhamento, a rotação e as variações no uso das cores. Desta maneira, considero as obras expostas na Pinacoteca ‘Benedicto Calixto’ representativas de uma evolução, de um amadurecimento em minha produção artística.
Qual o cenário e o atual contexto das artes plásticas em São Paulo?
São Paulo é uma metrópole onde acontecem as Bienais de Arte, que influenciam vários artistas. Tem a Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), a Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), a Faculdade de Belas Artes, o Instituto de Artes da Unesp, a FAU-USP, onde lecionam excelentes professores formadores de artistas. Um grande número de artistas reside em São Paulo, cuja infraestrutura nos propicia trabalhar com técnicas e tecnologias contemporâneas, como as gravuras com materiais sofisticados e as projeções em Vídeo Mapping, por exemplo. Além do Masp, há uma diversidade de galerias e museus importantes. Recentemente, visitei as exposições ‘Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985’ na Pinacoteca do Estado e ‘Raiz’, do artista Ai Weiwei, na Oca do Parque Ibirapuera. Há também uma preocupação em levar a arte ao grande público através dos espaços das estações de metrô e das praças públicas. Aliás, em Matão há um museu particular importantíssimo da Família Moreira Sales com um considerável acervo de arte contemporânea.
Onde e quando será a sua próxima exposição?
Será realizada na Secretaria Municipal de Cultura de São Vicente, mas a data ainda será definida. Esta mostra será organizada por Paulo Eduardo Costa, secretário municipal adjunto de Cultura de São Vicente.
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