Carla Silva é vice mundial na Bélgica
Em Herstal, karateca matonense conquistou três troféus para o Brasil
Do acervo · publicada originalmente em 24 de novembro de 2018
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 4 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2018Carla Adriana da Silva conquistou o vice-campeonato mundial de karatê em Herstal, na Bélgica. Desta vez, a competição contou com mais atletas do que em edições anteriores, pois há uma tendência em tornar o Mundial totalmente unificado. Aproximadamente 1.200 karatecas de 25 países disputaram o ‘Open International – Província de Liège’, realizado nos últimos dias 17 e 18.
Carla foi vice na categoria Kata Individual Sub-21, sendo que o Kata traz aos tatames os movimentos de uma luta imaginária. Além do segundo lugar, Carla conquistou outros dois troféus – de terceiro lugar, na categoria Shiai Kumitê (luta): um na Individual Sub-21 até 61 quilos e outro na Individual Sênior até 61 quilos.
A Delegação Brasileira contou com 13 atletas e três dirigentes na Bélgica. Dos dez troféus do selecionado brasileiro, três vieram para Matão nas mãos de Carla. Esta foi a quarta vez que ela obteve a classificação para um Campeonato Mundial, sendo que não disputou nas três vezes anteriores devido à falta de patrocínio.
“Felizmente, desta vez a Carla conseguiu o patrocínio e conquistou três lindos troféus mundiais. Parabéns, Carla! O Karatê de Matão te parabeniza”, resume Joares Tavora Ferreira da Silva (5º Dan), coordenador de Karatê pela Secretaria Municipal de Esporte, Lazer, Turismo e Juventude e diretor técnico da Federação de Karatê Paulista (FKP). Carla foi entrevistada por A Comarca.
Quando você ficou sabendo que disputaria o Mundial?
Obtive a classificação para este Campeonato Mundial entre os dias 7 e 9 de setembro, em Maracanaú (Ceará), num evento realizado pela Federação Brasileira de Karatê (FBK) e pela Prefeitura daquele município. Desde então, comecei a buscar patrocínio para as despesas que teria. Já tinha vivido esta mesma tentativa por patrocínios em três situações anteriores, nas quais consegui nos tatames as classificações para os Mundiais, mas não os disputei por falta de patrocínio. Sinceramente, já estava quase sem esperança de ir; contudo, no último dia 8, soube efetivamente que teria o patrocínio.
E quando você viajou?
No dia 13. Foram 13 horas voando, das quais 10 horas entre São Paulo e Madrid e outras 3 horas de Madrid a Bruxelas, de onde viajamos por pouco mais de uma hora de ônibus para Blegny-Mine, cidade que fica a uns 40 minutos de ônibus de Herstal, onde competimos. Liège está a uns 20 minutos de Blegny-Mine; pela proximidade, o ‘Open International’ teve como localização física a Província de Liège.
Como foi a rotina de vocês lá?
Chegamos em Blegny-Mine no dia 14 e fomos ao mercado sob um frio de dois graus. Nunca passei tanto frio! Descansamos. No dia 15, demos uma volta pela cidade e fomos treinar à noite, na sala de jogos do hotel. No dia 16, após outra volta pela cidade, descansamos porque tínhamos que competir no dia seguinte.
Aonde vocês competiram?
Numa quadra com dois pavimentos, que contava como uma estrutura muito bem organizada dentro de um clube de Herstal. No dia 17, disputamos somente no Shiai Kumitê. Fiz duas competições no limite de 61 quilos: na Sênior perdi na semifinal para uma competidora da Inglaterra e venci a uma alemã na disputa pelo terceiro lugar; na Sub-21, perdi para uma atleta de Luxemburgo na semifinal e venci uma da Alemanha pelo terceiro. Veio a competição de Kata e perdi a final para uma karateca da Indonésia. Também disputei o Kata na categoria Sênior, mas fui eliminada por uma belga. Dos dez troféus da Delegação Brasileira, três vieram para Matão.
Você deve estar feliz.
Muito feliz! Consegui realizar um dos meus sonhos, que é participar de uma competição de tão alto nível técnico e conseguir três pódios. Esta competição teve um nível técnico bem mais forte do que as edições passadas, porque antes os mundiais eram separados. A partir desta edição, tudo foi unificado.
Quais os agradecimentos?
Ao sensei Joares, ao meu irmão Paulo Antonio da Silva (Paulinho), meus familiares e a todos que torceram por mim. Obrigado a meus amigos da Associação Tavora de Karatê-Dô. Muito obrigado ao patrocinador por ter dado o meu maior presente até hoje!
As conquistas de Carla
Entre os principais feitos de Carla estão duas medalhas no Campeonato Panamericano de Karatê (Buenos Aires, Argentina, 2010), sendo prata no Kata Individual e bronze no Shiai Kumitê Individual. Em sete edições do Campeonato Brasileiro (de 2012 a 2018), Carla obteve 13 medalhas, sendo cinco de ouro (uma delas no Shiai Individual e quatro no Shiai por Equipe), cinco de prata (duas no Kata e três no Shiai, todas no Individual) e três de bronze (Shiai Individual, Kata Individual e Kata por Equipe).
No Campeonato Paulista são 14 medalhas: oito de ouro, uma de prata e cinco de bronze. Na Copa São Paulo, seis medalhas: três de ouro, uma de prata e duas de bronze. Nos Jogos Regionais, oito medalhas: quatro de ouro, uma de prata e três de bronze. Carla começou a competir aos 11 anos e evoluiu muito. Segundo Joares Tavora, “ela é muito focada e tem forte equilíbrio emocional durante as lutas. Realiza os movimentos com plena segurança e é muito confiante”.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.








