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Cultura e Variedades

Cássio Carrara resgata os maestros de O Clarim

Lançamento do livro 'O som da nova era', de Cássio Carrara, acontecerá no dia 21 de setembro

Do acervo · publicada originalmente em 22 de agosto de 2018

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 6 min

Foto: Acervo A Comarca

Cássio Carrara resgata os maestros de O ClarimAcervo · 2018
Cássio Carrara resgata os maestros de O Clarim

Cássio Leonardo Carrara lançará seu primeiro livro. ‘O som da nova era’ será apresentado oficialmente às 20 horas do dia 21 de setembro, na sede da Comunidade Espírita ‘Cairbar Schutel’, onde ele será entrevistado ao vivo pelo programa ‘Repensar’ do canal televisivo ‘Mundo Maior’, apresentado por Maria Izilda Netto, com transmissão no You Tube.

O livro-reportagem conta a história da Casa Editora ‘O Clarim’, desde sua fundação em 15 de agosto de 1905. O subtítulo ‘O Clarim e seus maestros’ se refere aos principais artífices desta centenária caminhada. O principal referenciado é Cairbar Schutel, fundador da instituição sediada desde sua alvorada até hoje em Matão.

Outros protagonistas são as irmãs Antoninha e Zélia Perche, José da Costa (‘Seo’ Juca), Wallace Rodrigues, José da Cunha, Carlos Vital Olson, Laudicéia Lucca Belvedere e Apparecido Belvedere, bem como os atuais dirigentes, o casal José Luiz Marchesan e Lúcia Helena Bambozzi Marchesan.

Filho do também autor de livros Orson Peter Carrara e Aparecida Neuza Marana Carrara, Cássio é irmão de Alexandre Estêvão e de Cíntia Fabiane. Casado com Gabriella Helena Bianchini Fernandes, nasceu em Mineiros do Tietê (SP) no dia 14 de março de 1988, iniciando sua jornada em Matão no dia 10 de dezembro de 2000.

‘O Som da nova era’ brotou do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que Cássio desenvolveu ao concluir ‘Comunicação Social (Jornalismo)’ na Uniara, em 2012, sob orientação do professor doutor Sebastião Geraldo; das professoras mestres Elivanete Zuppolini Barbi e Luciane Ribeiro do Valle e do professor especializado Luiz Carlos Messias da Silva.

Desde março de 2011, Cássio atua como jornalista, sendo responsável por parte dos textos, revisão ortográfica e diagramação da ‘Revista Internacional de Espiritismo (RIE)’. Também faz o mesmo no Jornal ‘O Clarim’, exceto a diagramação, sob responsabilidade de Douglas Matheus Nogueira. Pós-graduado em ‘Linguagem, Cultura e Mídia’ (Unesp-Bauru), Cássio foi entrevistado por A Comarca.

Por que você optou por este tema para seu TCC na Uniara?

Pela relevância da história da Casa Editora ‘O Clarim’, tanto em Matão como no cenário do Movimento Espírita no Brasil e no exterior. Contudo, o ponto mais relevante é o fato de que várias publicações trazem muitas informações referentes à Cairbar Schutel, cuja jornada encerrou-se fisicamente junto à instituição em 1938, mas houve continuidade dos seus propósitos de forma ininterrupta por protagonistas, pouco destacados.

Quais foram as suas fontes de consulta?

As biografias ‘Cairbar Schutel, o bandeirante do Espiritismo’ e ‘O imortal Cairbar Schutel’, respectivamente escritas por Eduardo Carvalho Monteiro e Wilson Garcia; e o livro de David Liesenberg, que também será lançado na ocasião da entrevista que concederemos ao programa ‘Repensar’. Pesquisei artigos em jornais e revistas, além de ter realizado entrevistas com familiares e pessoas ligadas a ‘O Clarim’, como os protagonistas Apparecido e Laudicéia Belvedere.

Cabe algum destaque?

Encontrei textos brilhantes escritos por Wallace Rodrigues, que foi redator entre 1966 e 1988. Wallace se aprofundava em todos os textos que fazia, além de ser extremamente poético, fugindo de mesmices. Ele era poliglota. Foi responsável pelo revigor da Casa Editora ‘O Clarim’, pois após o desencarne de Cairbar Schutel em 1938, houve um intervalo de aproximadamente 20 anos sem a publicação de obras inéditas – somente reimpressões. Wallace trouxe livros escritos em línguas inglesa, francesa, espanhola, traduzindo-os e publicando as obras pela Casa Editora ‘O Clarim’. Ele também escreveu best-sellers, como ‘A esquina de pedra’ e ‘E, para o resto da vida...’.

Algum entrevistado conviveu diretamente com Cairbar Schutel?

Sim. Entrevistei a senhora Adalgisa Rosito. Atualmente com 95 anos, Dona Ziza mora em São Paulo desde o início da década de 1940. Ela trabalhou na Casa Editora ‘O Clarim’ de 1937 até mudar-se para a Capital. Descreveu Cairbar como homem sério, muito compenetrado; porém, extremamente atencioso e afetuoso com todos.

Cada um contribuiu a sua forma. Qual o momento da Casa Editora ‘O Clarim’?

As irmãs Antoninha e Zélia conviveram com o período mais difícil, que foi o pós-Cairbar Schutel. Elas tiveram que lutar muito para manter as portas abertas. Wallace conviveu com as presidências de José da Cunha e Carlos Vital Olson, períodos em que ocorreram a revitalização do parque gráfico e o alavancar das publicações. Desde que José Luiz Marchesan assumiu, nosso desafio tem sido a inserção ao cenário digital e suas necessárias adaptações. Destaca-se na gestão de José Luiz, a inauguração do Memorial Cairbar Schutel, em novembro de 2013, vontade suprida após quatro décadas. Destaca-se que o memorial foi construído na casa em que viveu Cairbar Schutel.

A quem você dedica este livro?

A toda minha família, minha esposa, aos meus amigos David e Sonia Liesenberg, meus orientadores na Uniara e a todas as pessoas que fazem ou fizeram parte da Casa Editora ‘O Clarim’, contribuindo para a sua história. Além destas pessoas, agradeço muito a Dona Ziza, pois foi ao entrevistá-la em São Paulo, em janeiro de 2012, que me inseri mais na história, obtendo ricos detalhes que me deram a certeza de que conseguiria desenvolver bem o tema e realizar um bom trabalho. Destaco que este livro integra parte das comemorações referentes aos 150 anos da data natalícia de Cairbar Schutel, pois desde o começo deste ano, variadas atividades integram esta importante efeméride, como, por exemplo, a oitava edição do ‘Encontro Anual Cairbar Schutel’, agendada para os dias 22 e 23 de setembro, na Sorema. Estarei autografando o livro na ocasião.

Por que o título do livro é ‘O som da nova era’?

‘O som’ é uma referência ao clarim, instrumento musical que foi acolhido como símbolo da instituição. A ideia do nome era transmitir a mensagem de que o jornal, publicação inaugural da editora, ecoaria em alto e bom som em todos os lugares que atingisse. ‘Nova era’ faz referência ao ensinamento espírita que, entre outros princípios, diz que cada individualidade progride moral e intelectualmente sem cessar – o que influi diretamente no progresso coletivo da humanidade. Desta forma, a Casa Editora ‘O Clarim’ é uma das propagadoras deste conhecimento renovador.

Há uma foto na contracapa do livro que reúne periódicos impressos antigos e duas meninas. Você sabe quem são elas? Por que escolheu esta foto?

Infelizmente, não tenho conhecimento de quem são as duas crianças. Além de muito bonita esteticamente, a foto foi escolhida porque ilustra materialmente toda a pujança do ideal de Cairbar Schutel, que chegou a imprimir 40 mil exemplares do jornal ‘O Clarim’ em novembro de 2013, em meio a todas as dificuldades logísticas e os preconceitos enfrentados naquela época. De uma pequena cidade do interior paulista, Cairbar Schutel e os demais protagonistas que o sucederam se tornaram conhecidos no Brasil e no mundo! Isso merece ser divulgado e relembrado sempre.

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