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Cidade

Matão celebra 120 anos de sua Paróquia Mãe

Já a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus completará 60 anos no dia 30 de março

Do acervo · publicada originalmente em 2 de março de 2018

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 7 min

Foto: Rogério Bordignon

Padre Jorge Nahra, diante da Matriz e do Largo ‘Ferdinando Bambozzi’. “Teremos uma ‘moldura’ melhor condizente com o bonito prédio da Matriz”Acervo · 2018
Padre Jorge Nahra, diante da Matriz e do Largo ‘Ferdinando Bambozzi’. “Teremos uma ‘moldura’ melhor condizente com o bonito prédio da Matriz”

Às 19h30 desta sexta-feira (2) terá início a Missa em Ação de Graças comemorativa aos 120 anos da criação da Paróquia Senhor Bom Jesus de Matão. “A missa será presidida pelo bispo da Diocese de São Carlos, dom Paulo Cezar Costa, com descerramento de placa alusiva à data. Convidamos padres de Matão, da Diocese e outros que passaram pela primeira paróquia de Matão, pois comigo foram 30 párocos a servir na Paróquia Mãe”, diz o padre Jorge João Aparecido Nahra, que celebrou sua primeira missa aqui no dia 8 de fevereiro de 2013. “Todos estão convidados para esta comemoração”, conclui.

A ORIGEM

Em 1891, Theophilo Dias de Toledo e seu irmão Mathias estavam na casa de Antonio da Silva Coelho, na Fazenda das Laranjeiras, com o intuito de construir uma capela em terras de Innocêncio Antonio da Costa e sua mulher, Anna Maria de Jesus, persistentes em 1:000$000 (Um Conto de Réis) por dez alqueires. Os três consideraram o valor exorbitante, mas pagaram.

Este ato configura um momento decisivo do início da formação de nosso vilarejo, pois desde 1890 a Sesmaria do Mattão já tinha recebido pessoas de Capivari, Tietê, Porto Feliz, São Carlos, Américo Brasiliense, Araraquara e outros locais, formando fazendas e menores propriedades espalhadas pelo Mattão, cujo primeiro prédio construído naquela que seria a urbe foi de Ângelo Maccagnan.

Já havia nome para a Capela: Senhor Bom Jesus das Palmeiras. Identificação definida, uma comissão de quatro membros pôs-se em marcha prática: Theophilo Dias de Toledo, Antonio da Silva Coelho, José Brochado Corrêa e Leão Pio de Freitas conclamaram fazendeiros e servidores das redondezas para mãos às obras. Roçaram o campo em julho de 1893.

PRIMEIRA CAPELA

Na sequência, Antonio da Silva Coelho e José de Arruda mediram e demarcaram o perímetro do patrimônio adquirido de Innocêncio, delimitando também o local da Capela. Logo depois, Leão Pio de Freitas encomendou a feitura do cruzeiro, erguido no meio do local onde surgiria a primeira Capela, ato recebido com foguetórios e muita comemoração.

Em fins de 1893 começa a obra da Capela, sendo que os habitantes precursores dividem gastos. Em bom estado, o altar veio de Araraquara, assim como a imagem do Senhor Bom Jesus. Sobre carro de boi, ela é colocada num andor no bairro do Retiro e segue em procissão até a Capela, onde a primeira missa foi realizada no dia 25 de março de 1895, ocasião de casamentos e batizados.

Na criação do Distrito de Paz, o nome do vilarejo é alterado para Bom Jesus de Matão, porque existia outro local paulista denominado Bom Jesus das Palmeiras. No dia 4 de março de 1898 é criada oficialmente a Paróquia Senhor Bom Jesus de Matão, antes da fundação do município, em 27 de agosto do mesmo ano. No entanto, a Capela fica pequena, constituindo-se no altar da primeira Matriz.

PRIMEIRA MATRIZ

Em 1901, o primeiro médico de Matão, Antonio Mendes Martins Valderde (nomeado ‘Fabriqueiro da Paróquia’), lança a Pedra Fundamental daquela que seria a Matriz. Essa obra demora, mas é concluída pelo padre Francisco Garaud no dia 8 de setembro de 1928, após adequações necessárias para o bom convívio e aproveitamento entre espaços da Capela e da nascente Matriz.

O padre Francisco Garaud morre dois meses após, no dia 16 de novembro de 1928. Ele veio de Bebedouro, de onde trouxe a planta da antiga Matriz, idêntica à igreja bebedourense. Com o surgimento da Matriz e o trabalho de sucessivos padres, brotam associações: ‘Damas de Caridade’, o ‘Lar São Vicente de Paulo’, o primeiro coral, entre outras. Brota a urbe matonense.

A MATRIZ ATUAL

O saudoso padre Nelson Antonio Romão chega a Matão no dia 12 de novembro de 1950 e assume finanças deficitárias perante 6 mil habitantes na cidade e 11 mil espalhados pela zona rural. Defendendo com fervor o Catolicismo, constrói capelas rurais, instala sindicatos, gera núcleos de atividades sociais, leciona História e edifica a nova Matriz, entre outros vários trabalhos nos seus 22 anos de Matão.

A grande obra física é o atual prédio da Matriz, cuja Pedra Fundamental é lançada no dia 5 de agosto de 1951 pelo bispo dom Ruy Serra. Novamente, a comunidade se organiza em quermesses e outras fontes de arrecadação e contribui à nova empreitada. Havia um projeto anterior – com linhas delgadas e uma só torre, pontiaguda – que desagradou a maior parte da população por seu custo e localização adiantada, mais próxima da atual Praça ‘Dr. Leônidas Calígola Bastia’.

Outro mais clássico, com duas torres encorpadas, é feito por empresa de Lívio Malzoni. Este segundo projeto é a base, embora modificações surjam ao longo da obra. Decide-se pela retirada de uma das torres; dá-se nova forma a que ficou e determina-se uma cúpula larga e alta – e uma segunda, mais baixa e menor.

O arquiteto responsável foi Pompeo D’Alessandro e o engenheiro civil, Carmelo Carradori. A obra se inicia no sentido da Rua Cesário Motta para a Rua José Bonifácio. A Casa e o Salão Paroquiais ficavam entre a EE ‘José Inocêncio da Costa’ e a Matriz. Desgastados pelo tempo, foram demolidos. Lentamente, o prédio sobrepõe-se à antiga Matriz, que lá fica o quanto pode.

O altar oriundo de Araraquara, em mármore de Carrara, é levado a uma Igreja de Itajobi (de onde veio o padre Nelson para Matão) e está lá até hoje. Pinturas de Benedicto Calixto são perdidas com a extinção da antiga Matriz, que cede lugar a um prédio amplo, moderno – a principal expressão arquitetônica de Matão.

Depois de 6 anos e 7 meses, muitos frangos assados por André Rizzo, familiares e outras pessoas, bem como valiosos esforços comunitários voluntários das mais variadas naturezas, recursos de empresários e um ou outro público, a extenuante jornada chega ao fim: no dia 30 de março de 1958, uma missa com a presença do bispo dom Ruy Serra marca a inauguração do atual prédio da Igreja Matriz.

REFORMA

Antes da chegada do saudoso padre Marcos Simões Pião em Matão (22 de janeiro de 2004), o também saudoso monsenhor Amador Romão conduziu as reformas da torre e da escadaria. No entanto, o telhado não estava em bom estado e não retinha a água das chuvas; daí, a necessidade de uma reforma geral, do subsolo à torre, constituindo-se na maior reforma da Matriz, concluída em meados de 2008.

NOVA REFORMA

Dez anos após, o padre Jorge Nahra também acompanha ampla reforma. “Após o acidente na Boate Kiss (2013), em Santa Maria (RS), há uma exigência maior da legislação referente à segurança em locais públicos. O patrimônio físico da paróquia também precisa se adequar às normas vigentes”, salienta. Assim foram providenciadas mudanças nas portas, sinalizações internas, lâmpadas de emergência, extintores, caixa d’água com capacidade para 12 mil litros, restando a colocação dos hidrantes.

“Acredito que até o final de abril, ou antes, os hidrantes estejam instalados, pois temos que recortar a parede e providenciar a tubulação”, informa Jorge, que relata a decisão de retirar os ladrilhos da escada frontal e escadas laterais menores (no meio da Matriz), pois muitos destes se soltaram devido à dilatação e trepidação, sobretudo na escada central.

Todas essas mudanças são realizadas diante de um trabalho conjunto com integrantes do Conselho de Assuntos Econômicos. “Ainda não foi decidido qual piso substituirá os ladrilhos, mas há pesquisas feitas e projetos em análises. A pintura externa da Matriz será feita, sendo que a interna está em boas condições”, informa o padre.

Jorge destaca que, diante destas alterações, foi decidido remodelar o Largo da Matriz, denominado ‘Ferdinando Bambozzi’. “No momento, estudamos projetos para o paisagismo. Estão em execução o corte de árvores e arbustos – autorizados pela Prefeitura – e a limpeza. Assim teremos uma ‘moldura’ melhor condizente com o bonito prédio da Matriz”, ressalta.

Outra novidade será uma iluminação mais potente, que realce bem todo o conjunto. “Em nome da Paróquia Senhor Bom Jesus de Matão, agradeço às pessoas que colaboram com este projeto de reforma para adequação às normas de segurança, nas escadarias, pintura e remodelação geral do largo. Muito obrigado! Comemoremos os 120 anos da paróquia e os 60 anos da atual Matriz”, finaliza o padre Jorge.

* Nota: Informações desse texto foram retiradas do livro ‘Uma história para Matão’ (volume 3), escrito por Azor Silveira Leite, com depoimentos de dona Ignês da Silva Coelho e documentos históricos. Há muito mais naquelas páginas.

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