ARTIGO: Dobrada completou 60 anos
POR PAULO CEDRAN
- Postado por Natali Galvao |
- sexta, 04 de abril de 2025 | 10:30 hs
Paulo Cesar Cedran é mestre em Sociologia e doutor em Educação Escolar (Unesp-Araraquara)
Foto: Divulgação
No último dia 28 de março, o município de Dobrada completou 60 anos de emancipação político-administrativa. A data foi comemorada com uma série de eventos chamada Semana Cultural e culminou com um desfile cívico em frente ao Palácio do Sesquicentenário, sede do Poder Executivo municipal, localizado na Praça ‘Dr. Carlos Pinto Alves’. O desfile contou com a presença do prefeito Antonio Carlos Mattos Santos (Carlos Dentista) e da primeira-dama Renata Mattos Santos; da secretária municipal de Educação e Cultura, Janete Cedran Ferrari; da secretária de Saúde, Izabela Gorni; além do dirigente regional de Ensino, Carlos Benedito Gabriel. Fizeram-se presentes, para contar a história do município, as escolas municipais de Educação Infantil e as escolas estaduais.
A população acorreu ao evento, prestigiando esta data tão significativa para Dobrada. Para compreender um pouco da história do surgimento do povoado, hoje denominado município de Dobrada, recorremos à obra do professor Azor Silveira Leite, ‘Uma História para Matão – Vol. II’, publicado em 1993, que nos conta que a origem se deu: “...por volta de 1893, quando teriam surgido as primeiras habitações, na região conhecida como Sesmaria dos Cocais; ‘as terras mais ao centro’ pertenciam a um imigrante italiano conhecido, ‘seo Durante’, enquanto, ao redor, se esparramava a terra de um rico espanhol, conhecido como Santiago¨ (LEITE, 1993, p. 233).
A Estrada de Ferro Araraquarense, cortando o alto do espigão, corria procurando o sertão e modificando a vida de toda extensão de terra dessa região. Aos poucos, a denominação foi mudando de Sesmaria dos Cocais e passou-se a chamar Bairro de Santiago, corria o ano de 1900. Azor Silveira Leite continua: “Acontece que as carretas, os troles e as tropas de cargas e respectivos tropeiros, vindos de Araraquara, dirigindo-se para Ribeirãozinho, diziam que iriam parar na Dobrada de cá e os que vinham de Ribeirãozinho para Araraquara, parariam na Dobrada de lá, no Bairro de Santiago. Por volta de 1905, não se falava mais Sesmaria dos Cocais e nem mesmo no Bairro de Santiago. Foi em 1908 que a estrada de ferro chegou” (LEITE, 1993, p. 233).
A povoação dobradense, a partir de então, apresentou grande expansão de fazer inveja à sede do distrito – Matão. A vila se apresentava com 120 casas e sua área distrital era coberta, entre 1911 e 1926, por cerca de 10 milhões de pés de café. Em 27/12/1911, Dobrada passa a ser considerada distrito de paz do município de Matão, pela Lei nº 1.295/1911. Para dar conta desse desenvolvimento, a região contou com a força do imigrante italiano no movimento que ficou conhecido como Marcha para o Oeste do Interior Paulista, iniciado por volta de 1850, pela expansão cafeeira na região de Ribeirão Preto.
Em 1926 ocorreu a primeira emancipação do distrito encaminhada ao presidente da Câmara dos Deputados do Estado de São Paulo, tentativa essa que não prosperou e posteriormente, nos anos de 1928/1929, com a crise do café, liquidou de vez a luta pela emancipação. Foi somente na década de 1960 que, por empenho de Donato Antônio Caropreso e um grupo de dobradenses, se organizou a luta pela emancipação política do distrito junto a Matão. Em 31/12/1963 foi sancionada pelo governador a Lei nº 8.050, mas o veto recai sobre as pretensões para emancipação e nova batalha política é travada junto ao governador Adhemar de Barros, que libera seus correligionários e, no dia 28/02/1964, finalmente é aprovada a Lei nº 8.092, que cria o município de Dobrada.
Em 07/04/1965 realiza-se a primeira eleição para prefeitos e vereadores. Donato Antônio Caropreso é eleito prefeito, tendo Adelmo Cassante como vice. No dia 28/03/1965, instala-se o município de Dobrada e a sua Câmara Municipal, no Cine Teatro Sete de Setembro. Após este pequeno relato, vejamos como o desfile cívico contou a história do município.
A Cemei ‘Lourenço Bertonha’ desfilou representando os tropeiros e boiadeiros, à época da fundação (1893). A Escola ‘Vereador Antonio Comar’ e a Escola Municipal ‘Profª Margherita Scutti Bertonha’ desfilaram homenageando a família Santiago, que deu origem ao Bairro de Santiago, lembrando a presença das fazendas ao seu redor (1900). Um carro alegórico das escolas municipais homenageou as casas de comércio presentes na antiga Rua do Comércio, atuais ruas Batista Barbieri e Eugênio Durante (1903). A Cemei ‘Cleide Palma Pauli’ homenageou a cultura do café e a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense (1908).
Pela década de 1910-1920, as bandas marciais e o cinema de Dobrada foram homenageados pela Escola ‘Profª Adreana Comar’ e pela Escola ‘Dr. Celso Barbieri’. A Cemei ‘José Jorge’ lembrou que nem tudo foram flores nas décadas de 1930 a 1950, período marcado por guerras e destruições. As décadas de 1950 e 1960 foram representadas pela Escola ‘Profª Margherita Scutti Bertonha’, que representou a cultura da laranja em substituição à cultura cafeeira. A emancipação do município foi representada pela EE ‘Vereador Antonio Comar’.
Na década de 1970-1980 teve início o ciclo da cana-de-açúcar na região, com a chegada dos migrantes nordestinos e mineiros representados pelos alunos do projeto Espaço Amigo. Merece destaque também a homenagem prestada ao farmacêutico Frederico Scabello, representado pela sua bisneta Raissa Bertonha, pelos relevantes serviços prestados à cidade através da Farmácia Santa Teresinha. Os anos 1990 e 2000 foram representados pelo bolo que homenageou os 60 anos do município, em evento que foi abrilhantado pela Banda do 13º Batalhão da Polícia Militar de Araraquara, pela Banda Musical de Fernando Prestes, da Banda Musical de Guariba e pela Banda Marcial São Luis de Jaboticabal.
Fonte: Paulo Cesar Cedran é mestre em Sociologia e doutor em Educação Escolar (Unesp-Araraquara)
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