Lidia DAgostino presidiu workshop em São Paulo

Fonoaudióloga matonense participou de congressos no Hotel Transamérica


Nos últimos dias 21, 22 e 23 de setembro, Lidia D’Agostino participou da 15ª edição do Congresso Brasileiro de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, realizado em São Paulo (Hotel Transamérica) pela Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial. Na ocasião também aconteceram o 10º Congresso Brasileiro de Fissuras Lábiopalativas e Anomalias Craniofaciais (Associação Brasileira de Fissuras Lábiopalatinas) e a segunda edição do Congress Latinamerican Association (Associação Craniofacial Latinoamericana).

“Participei de uma mesa com o tema ‘Atualização fonoaudiológica nas malformações crânio-maxilo-faciais congênitas, com mais três fonoaudiólogas brasileiras (Ana Carolina Xavier, Zelita Guedes e Regiane Weitzberg). A moderação desta mesa coube a Maria Del Pilar Echeverri (Colômbia); o secretário foi Felipe Inostroza Allende (Chile) e a presidência foi exercida por Mirta Palomares (Chile)”, cita Lidia, que também presidiu o workshop ‘Modelo de linguagem em pacientes com fissuras’, desenvolvido por Maria Carmem Pamplona (México)”, comenta.

Lidia voltou a Matão no começo de 2016 para cuidar dos seus saudosos pais (Victorio e Maria de Lourdes Perez e Perez D’Agostino) e pelo desejo de atuar como voluntária no atendimento a crianças carentes com dificuldades de fala e linguagem. “Quem me abriu as portas foi Édo Mariani, para minha atuação no atendimento a crianças do ‘Projeto SOS Cidadania’, realizado pelo ‘Núcleo Assistencial Espírita Édo Mariani’”, menciona Lidia, que também atua de forma particular desde 2017. Ela nasceu em Matão, no dia 15 de outubro de 1948. A Comarca a entrevistou.

Quando a senhora foi para São Paulo e quando se formou?

Fui para São Paulo aos 18 anos e me formei no Curso Superior de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) no final de 1969, integrando a 6ª Turma. Sou especialista em Motricidade Orofacial, por mérito e ‘Reconhecido Saber’, pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa).

Onde começou a atuar?

Meu primeiro trabalho foi na recém inaugurada Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae-SP), em 1970, por indicação da professora Fanny Amado, integrando a primeira equipe interdisciplinar de Assistência à Criança com deficiência do Brasil. Permaneci na Apae até 1986. No mesmo período, fui assistente da professora Fanny e de seu marido, o médico neuropediatra Joelson Amado.

Seu conhecimento fonoaudiólogo favoreceu a recuperação de uma cirurgia. Como?

Em 1978, fui submetida a uma cirurgia ortognática para corrigir oclusão dentária, realizada por uma equipe do Hospital Beneficência Portuguesa, que me propôs o acompanhamento de minha cirurgia para observação do resultado. Como era fonoaudióloga, desenvolvi exercícios que me auxiliaram na recuperação das funções orofaciais, o que gerou o convite para integrar esta equipe. Aceitei e deixei a segurança profissional de um consultório particular muito bem estabelecido para adquirir novos conhecimentos na área das malformações congênitas e adquiridas crânio-maxilo-facial, junto a uma equipe liderada por um renomado cirurgião internacional, Jorge Miguel Psillakis. Adquiri experiência e passei meu conhecimento a fonoaudiólogos e cirurgiões por meio de cursos, palestras e aulas em cursos de Pós Graduação.

Escreveu artigos?

Escrevi 17 capítulos em livros referentes à cirurgia plástica e fonoaudiologia sobre problemas funcionais que envolvem cirurgias ortognáticas, as síndromes craniofaciais e as fissuras lábiopalatinas. Existem dois capítulos ‘no prelo’ para a Universidade do Chile e para a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).

A atuação interdisciplinar favorece a todos na equipe.

Sim. No meu caso, o trabalho interdisciplinar me levou a adquirir conhecimentos que me ajudaram a usar melhor minhas técnicas em situações antes limitadas pela complexidade das malformações orofaciais e também contribuíram para que outros profissionais fossem beneficiados com o conjunto destes conhecimentos, o que os possibilitou a desenvolver pesquisas.

O que veio após o trabalho na Apae?

A partir de 1986, atuei junto ao Hospital Municipal Infantil ‘Menino Jesus’, pela Secretaria Municipal de Saúde (Prefeitura de São Paulo), o que permitiu que ampliasse meus conhecimentos e também contribuiu com minha experiência anterior. Fui pioneira, pois não havia fonoaudióloga na rede pública municipal de saúde em São Paulo pela administração direta. A responsabilidade foi muito maior, porque este pioneirismo me obrigou a enfrentar fronteiras que abrissem caminhos para a contratação de mais colegas. Neste hospital, formamos equipe interdisciplinar para atendimento de crianças com fissuras lábiopalatinas. Aposentada pela Secretaria Municipal de Saúde, atuei como colaboradora de 1996 a 2015 no Departamento de Prótese Bucomaxilo da Faculdade de Odontologia da USP, no grupo de estudos de fissuras lábiopalatinas, atendendo bebês.

Teve outras atividades?

Além das atuações na Apae/consultório de 1970 a 2015; nos hospitais ‘Beneficência Portuguesa’ (1978 a 1986) e ‘Menino Jesus’ (1980 a 1996) e no Departamento de Prótese Bucomaxilo da Faculdade de Odontologia da USP, atuei no Instituto de Cirurgia Plástica ‘Santa Cruz’, na equipe do médico José Marcos Mélega (1986 a 2015) e no Núcleo de Plástica Avançada do hospital ‘Beneficência Portuguesa’ na equipe da médica Vera Lucia Nocchi Cardim (2006-2015). Mantenho contato via internet e sou convidada a participar de congressos na área de Fonoaudiologia e Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial. No momento, preparo nova participação como comentarista da Mesa de Saúde Coletiva para o 26º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que será realizado nos próximos dias 11, 12 e 13, em Curitiba (PR).

Quais as homenagens recebidas?

Recebi duas homenagens, sendo uma delas em 2013 pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), em Brasília; e outra em 2015, em Lima (Peru), quando fui homenageada pelo pioneirismo e contribuição para o reconhecimento da motricidade orofacial, pela Comunidade de Motricidade Orofacial Latinoamericana. Sinto-me abençoada e agradecida a todas as pessoas que contribuíram para a minha trajetória profissional. Nesses anos tive a oportunidade de conviver e aprender com profissionais de alto nível técnico e humano, cirurgiões que transformavam faces, proporcionando condições para o resgate da dignidade das pessoas com malformações, famílias de verdadeiros guerreiros na luta para a reabilitação dos seus filhos, pessoas que souberam exercer a capacidade de superação e que me ensinaram o verdadeiro significado da vida.


Fonte: Rogério Bordignon


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