Matonense conquista prêmio mundial

Vitória na área de Farmacologia teve a participação de dois ex-orientandos


No último dia 17 foram anunciados os vencedores do prêmio World Championship 2018 em diferentes áreas científicas de atuação. Entre eles há um matonense: o professor doutor Nelson Roberto Antoniosi Filho. O prêmio a Nelson – que atua na Universidade Federal de Goiás (UFG) e foi o principal responsável pela criação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-Matão) – foi obtido na área de Farmacologia, também contemplando dois de seus ex-alunos, coautores do trabalho premiado: o mestre em química Cláudio Roberto Fiuza Cardoso e a professora doutora Maria Isabel Ribeiro Alves.

O prêmio ‘World Championship 2018’ é fruto de um trabalho de pesquisa para a melhoria do controle de qualidade e implementação dos medicamentos Genéricos no Brasil, executado como parte da dissertação de Cláudio, então orientado por Nelson. Este trabalho surgiu juntamente com o programa de medicamentos Genéricos, iniciado em 1999 com a promulgação da Lei dos Genéricos.

O World Championship é uma premiação internacional concedida às melhores teses, dissertações, pesquisas e artigos científicos que representaram um marco no desenvolvimento científico e tecnológico mundial. Ele é realizado desde 2013 pela International Agency for Standards and Ratings (IASR), que assegura a integridade do processo.

Em 2018, dois outros brasileiros ganharam o prêmio nas áreas de mudanças climáticas e de neuroreabilitação, mostrando que apesar dos diversos cortes financeiros que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Telecomunicações vem sofrendo, os cientistas brasileiros fazem a diferença e desenvolvem avanços que são reconhecidos mundialmente.

O trabalho realizado pelos pesquisadores da UFG teve como objetivo desenvolver métodos de análise química que pudessem assegurar a qualidade dos medicamentos candidatos a genéricos, dando garantias de qualidade que permitissem seu uso pelos consumidores. A pesquisa desenvolvida também pode ser utilizada para verificar, de forma rápida e confiável, a eficiência dos medicamentos administrados a pacientes.

OS PREMIADOS

Nascido no interior de Goiás, o pesquisador Cláudio mudou-se para Goiânia para ingressar no curso de Química da UFG em 1994, e após se graduar, iniciou o Mestrado em Química Analítica em 1999, sob a orientação de Nelson. Neste período, realizou os trabalhos de desenvolvimento de métodos para monitoramento de medicamentos genéricos em seres humanos. Após a conclusão do Mestrado, foi contratado como pesquisador em um renomado centro de pesquisas na área de análise de fármacos.

Em 2004 ingressou numa empresa americana do Vale do Silício que produz equipamentos para laboratórios, onde participou da formação de diversos profissionais em toda a América Latina, transmitindo os conhecimentos adquiridos no Mestrado. Em 2012 teve o trabalho ganhador publicado na revista ‘International Research Journal of Pharmacy and Pharmacology’. Atualmente trabalha em uma das maiores empresas de equipamentos para laboratório, líder mundial do segmento, implantando novas tecnologias e formando novos profissionais.

Sendo uma dos nove filhos de uma família de poucos recursos financeiros, com pai pedreiro e mãe dona-de-casa, Isabel é paulista de Ituverava e graduada em Química pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Cursou mestrado, doutorado e pós-doutorado na UFG sob a orientação de Nelson. Atualmente é casada, mãe de dois filhos, arrimo de família e atua também como professora na UFG, juntamente com o ex-orientador Nelson, no Instituto de Química da UFG.

Para Nelson, filho do barbeiro Nelson Roberto Antoniosi e da professora aposentada Maria Aparecida Mingorance Antoniosi, “um reconhecimento desses normalmente é acompanhado de histórias que, essas sim, representam o objetivo que professores buscam em seu trabalho: o desenvolvimento da sociedade e a diminuição das desigualdades sociais. Esse é o verdadeiro Mundial que buscamos conquistar a cada dia. Prêmios, láureas e outros reconhecimentos são consequências menos importantes, mas que também servem para mostrar que todo investimento feito em educação, ciência e tecnologia vale a pena!”.


Fonte: Rogério Bordignon


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